O Conselho Monetário Nacional aprovou medida que permite acesso temporário de cooperativas da agricultura familiar do setor leiteiro a uma linha de crédito para capital de giro no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. A iniciativa busca apoiar cooperativas com dificuldades financeiras e garantir continuidade das operações até 30 de junho de 2026.
Na prática, as cooperativas poderão contratar empréstimos para custear atividades do dia a dia, como compra de leite dos produtores, processamento dos derivados e manutenção das operações. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida funciona como reforço emergencial de caixa para evitar interrupções produtivas e preservar renda e empregos.
O governo argumenta que essas cooperativas desempenham papel estratégico por adquirir produção de pequenos agricultores, processar alimentos e sustentar a atividade econômica de famílias no campo. Sem apoio financeiro, haveria risco de atraso em pagamentos a produtores, redução da produção e impacto sobre abastecimento.
A linha de crédito será destinada a cooperativas que participam do Pronaf Agroindústria e comprovem dificuldades para honrar dívidas de curto prazo em 2026. Também será exigida inscrição em programas públicos voltados à gestão e fortalecimento da agricultura familiar.
Os financiamentos poderão ser contratados em um ou mais bancos e terão prazo total de até seis anos para pagamento, com carência de até um ano para início da quitação do principal.
A taxa de juros será de 8% ao ano. O limite por cooperativa foi fixado em até R$ 40 milhões, enquanto o teto por cooperado será de até R$ 90 mil.
Segundo a Fazenda, o objetivo é assegurar compra da produção dos agricultores, evitar paralisações nas cooperativas, preservar empregos no interior e manter o abastecimento de alimentos.
A medida também é vista como resposta às dificuldades enfrentadas pelo segmento leiteiro em cenário de custos elevados e pressões financeiras. Com o acesso ao crédito, a expectativa do governo é dar fôlego ao setor para atravessar período de instabilidade sem comprometer a produção.
O apoio aprovado pelo CMN reforça instrumentos de sustentação da agricultura familiar e busca reduzir impactos econômicos sobre cooperativas consideradas essenciais para a cadeia produtiva do leite no país.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

