O pré-candidato à Presidência Romeu Zema defendeu mudanças no modelo de escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal e propôs que futuras indicações sejam feitas a partir de lista tríplice elaborada por instituições do sistema de Justiça, como o Superior Tribunal de Justiça, o Conselho Nacional de Justiça, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Ministério Público Federal.

A proposta foi apresentada nesta quarta-feira, durante evento com empresários em São Paulo, no mesmo dia em que o Senado realizou a sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo.

Segundo Zema, a mudança reduziria a margem de escolha exclusiva do presidente da República e ampliaria critérios técnicos no processo de composição da Corte. Na avaliação dele, o modelo atual concentra excessiva liberdade no Executivo para definir indicações.

A defesa da lista tríplice se soma a outras propostas já apresentadas por Zema para o Supremo, como a fixação de idade mínima de 60 anos para nomeação e a adoção de mandatos de 15 anos para ministros.

O ex-governador também voltou a criticar integrantes do STF e afirmou acreditar na possibilidade de processos de impeachment de ministros avançarem em nova composição do Senado. As declarações reforçam o tom crítico que vem marcando sua relação com a Corte.

Nos últimos dias, Zema ampliou embates públicos com ministros do Supremo, sobretudo após divulgar críticas em vídeo direcionadas ao ministro Gilmar Mendes. O episódio levou a desdobramentos jurídicos e elevou a tensão institucional em torno do tema.

Durante o evento, o pré-candidato também voltou a mencionar a necessidade de novas reformas estruturais, como mudanças na Previdência Social e uma reforma administrativa, embora sem detalhar propostas.

A discussão sobre modelo de indicação ao STF reaparece em meio ao debate sobre papel institucional da Corte e equilíbrio entre Poderes. A proposta de Zema, embora sem tramitação formal no momento, recoloca em pauta mudanças constitucionais que exigiriam amplo apoio político no Congresso.

A manifestação ocorreu em ambiente de crescente polarização sobre o Supremo e em momento em que a sabatina de Jorge Messias concentrou atenções em Brasília. Para aliados do ex-governador, o tema deve permanecer no centro de sua agenda política nos próximos meses.

Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG


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