O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), afirmou que pretende rever regras do programa Bolsa Família caso avance em seu projeto político nacional. Em entrevista concedida neste domingo ao programa Canal Livre, da Band, ele defendeu a manutenção do benefício para famílias em situação de vulnerabilidade, mas criticou o que classificou como distorções no acesso ao auxílio.

Durante a entrevista, Zema declarou que o programa é importante, mas apontou a existência de fraudes e afirmou que pretende endurecer critérios para evitar pagamentos indevidos. Ele também fez críticas ao que considera uma dependência prolongada de parte dos beneficiários, mencionando que há vagas formais disponíveis no mercado de trabalho que não estariam sendo ocupadas.

O ex-governador disse que pretende criar mecanismos que incentivem a inserção no mercado formal, como a exigência de análise de propostas de emprego. Segundo ele, beneficiários poderiam receber indicações de vagas e teriam limite para recusá-las sem risco de perder o benefício. A proposta, segundo o político, busca reduzir o que chamou de estímulo à informalidade.

Zema também avaliou que o modelo atual pode favorecer a manutenção de situações precárias ao longo do tempo, com famílias permanecendo dependentes do auxílio sem qualificação profissional. Ele argumentou que a combinação de renda informal com o benefício pode desestimular a busca por empregos formais, com carteira assinada.

As declarações repercutiram nas redes sociais e geraram críticas, especialmente pelo uso de termos considerados ofensivos ao se referir a beneficiários. O ex-governador respondeu às reações reiterando sua defesa de mudanças no programa e afirmando que seu objetivo é ampliar oportunidades de trabalho e qualificação.

No mesmo fim de semana, Zema também comentou outra declaração recente, feita em participação no podcast Inteligência Ltda, em que mencionou a possibilidade de adolescentes ajudarem em atividades consideradas simples. Após a repercussão, ele afirmou que a proposta se refere à ampliação de oportunidades dentro das regras legais já existentes no país.

O político destacou que a legislação brasileira permite o trabalho na condição de aprendiz a partir dos 14 anos, com garantias de proteção e sem prejuízo à educação. Segundo ele, a intenção é ampliar esse tipo de oportunidade, com acompanhamento e respeito às normas vigentes.

As falas ocorrem em um momento de intensificação do debate sobre políticas sociais e mercado de trabalho no Brasil, com diferentes propostas sendo discutidas por pré-candidatos e lideranças políticas. O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, permanece no centro dessas discussões, especialmente em relação ao equilíbrio entre assistência social e incentivo à inserção produtiva.

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil


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