A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) inicia neste sábado (9) uma nova etapa de monitoramento da qualidade da água do Rio Doce em 173 pontos distribuídos por 32 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. A medida marca a transferência definitiva da atividade, antes executada pela Fundação Renova, criada após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015.
A tragédia ambiental provocou o despejo de aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de lama e resíduos tóxicos no Rio Doce. O desastre deixou 19 mortos e atingiu diversas cidades mineiras e capixabas ao longo da bacia hidrográfica.
A Fundação Renova havia sido criada em 2016 para conduzir as ações de reparação das mineradoras Samarco, Vale e BHP. Em outubro de 2024, a entidade foi oficialmente extinta após um novo acordo firmado entre as empresas e o governo federal. Apesar disso, o monitoramento da qualidade da água permaneceu sob responsabilidade da fundação até agora.
A nova fase será executada pela Funasa por meio da campanha “Funasa Presente no Rio Doce”. A iniciativa foi viabilizada após assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica entre a fundação e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), formalizado em abril deste ano.
Segundo o presidente da Funasa, Alexandre Motta, o objetivo principal é garantir continuidade às análises ambientais e ampliar a produção de dados sobre a qualidade da água consumida pelas populações afetadas pelo desastre ambiental.
Antes do início oficial das atividades, equipes técnicas realizaram visitas de reconhecimento em toda a bacia do Rio Doce, entre Governador Valadares, em Minas Gerais, e São Mateus, no Espírito Santo. Durante essa etapa, foram feitos levantamentos técnicos e coletas preliminares para definição dos pontos de monitoramento.
De acordo com o coordenador-geral de Ações Estruturantes em Saneamento e Saúde Ambiental da Funasa, Artur de Souza Moret, a operação contará com 15 profissionais e 3 unidades móveis de Controle da Qualidade da Água para Consumo Humano.
As equipes serão divididas em duas rotas de atuação em Minas Gerais e uma no Espírito Santo. As unidades móveis funcionarão como laboratórios itinerantes, permitindo a análise rápida das amostras coletadas ao longo da bacia.
Segundo a Funasa, as chamadas análises sentinela vão identificar possíveis riscos à saúde pública de forma imediata. Já os exames complementares serão realizados em laboratórios fixos da instituição.
Entre os parâmetros avaliados estão níveis de cloro, cloro residual, pH, turbidez e presença de microrganismos indicadores de contaminação, como coliformes totais e Escherichia coli.
A primeira campanha de coleta seguirá até o dia 16 de maio. Depois desse período, o monitoramento será realizado mensalmente em toda a extensão da área atingida pelo desastre de Mariana.
A expectativa da Funasa é consolidar os primeiros resultados nas próximas semanas. O governo federal afirma que os dados servirão para orientar políticas públicas de saúde ambiental e ampliar a segurança no abastecimento das cidades atingidas pela tragédia do Rio Doce.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

