O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que “ainda vai aparecer muito mais coisa” ao comentar o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal. Durante discurso realizado em um evento cultural em Aracruz, Lula mencionou o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, e fez referência ao senador Flávio Bolsonaro.
Ao discursar para representantes do setor cultural, Lula criticou ataques feitos anteriormente a artistas que utilizavam recursos da Lei Rouanet e comparou o tema às recentes revelações envolvendo o financiamento do longa-metragem ligado à família Bolsonaro. Segundo o presidente, o país atravessou um período marcado por mentiras, ofensas, violência política e incivilidade, cenário que, na avaliação dele, precisa ser superado.
Na sequência, Lula fez referência direta ao senador Flávio Bolsonaro ao afirmar que poucas pessoas imaginavam que o parlamentar estaria envolvido na captação de milhões de dólares destinados ao financiamento de um filme sobre o próprio pai. O presidente declarou ainda que as informações já divulgadas representam apenas parte do que poderá surgir sobre o caso nos próximos meses.
A declaração ocorre depois de Flávio admitir ter visitado Daniel Vorcaro na residência do empresário em São Paulo durante o período em que o ex-banqueiro cumpria prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Segundo o senador, o encontro aconteceu após ele tomar conhecimento da dimensão das investigações envolvendo o Banco Master e cobrar pagamentos atrasados ligados ao financiamento do filme “Dark Horse”.
Flávio Bolsonaro afirmou que procurou Vorcaro para “colocar um ponto final” na situação e declarou que, se tivesse conhecimento prévio da gravidade das investigações, teria buscado outros investidores para garantir a conclusão da produção cinematográfica. Até o momento, o senador reconheceu que o filme recebeu US$ 12 milhões vinculados a Vorcaro. Segundo a produtora Karina Ferreira Gama, proprietária da Goup Entertainment, o ex-banqueiro teria sido responsável por aproximadamente noventa por cento dos recursos utilizados no projeto, estimado em US$ 13 milhões.
Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em novembro do ano passado durante tentativa de embarque para Dubai em um jatinho particular. Posteriormente, conseguiu autorização para cumprir prisão domiciliar, mas voltou a ser preso em março deste ano por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de tentativa de obstrução da Justiça.
Durante o mesmo evento, Lula também comentou sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou ter cobrado cooperação internacional no combate ao crime organizado. O presidente brasileiro relatou que, durante visita realizada a Washington no início do mês, entregou ao líder norte-americano o endereço e o nome do empresário Ricardo Magro, dono da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, investigado por fraudes no setor de combustíveis e atualmente morando em Miami.
Segundo Lula, o empresário deveria ser entregue às autoridades brasileiras caso os Estados Unidos desejem colaborar efetivamente com ações internacionais de combate ao crime organizado. O presidente também afirmou que a Polícia Federal brasileira possui estrutura preparada para atuar em investigações relacionadas ao setor de combustíveis e lavagem de dinheiro.
Ricardo Magro é apontado pela Receita Federal como líder do grupo considerado o maior devedor contumaz de impostos do país, acumulando dívidas superiores a R$ 26 bilhões. O empresário é investigado por suspeitas de sonegação de ICMS, lavagem de dinheiro e fraudes ligadas ao mercado de combustíveis. Atualmente, Magro é alvo de prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal, mas reside nos Estados Unidos.
Lula também declarou que o enfrentamento ao crime organizado depende de cooperação internacional permanente e citou o fluxo ilegal de armas provenientes dos Estados Unidos. Segundo o presidente, a Polícia Federal brasileira realiza apreensões frequentes de armamentos enviados ilegalmente ao Brasil a partir do território norte-americano.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

