O Democracia Cristã anunciou nesta quinta-feira a abertura de um procedimento disciplinar para expulsar o ex-ministro Aldo Rebelo da legenda após críticas feitas por ele à decisão da direção partidária de substituir sua pré-candidatura presidencial pela do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. A medida foi oficializada por meio de nota divulgada pela executiva nacional do partido.

No comunicado, o partido afirmou que diversas tentativas de solução interna teriam fracassado por causa da postura considerada intransigente de Rebelo. Segundo a direção da sigla, foram identificados fatos e provas que afrontariam valores, princípios, objetivos e o estatuto partidário. A nota acrescenta que a abertura do procedimento disciplinar deverá resultar na expulsão sumária do ex-ministro, com posterior comunicação da desfiliação à Justiça Eleitoral.

O texto divulgado pela legenda também afirma que as manifestações recentes de Aldo Rebelo na imprensa nacional não estariam alinhadas aos princípios democrata-cristãos. Além disso, o partido repudiou declarações feitas pelo ex-ministro contra a direção nacional da sigla e contra o presidente do partido, o ex-deputado João Caldas.

A crise interna se intensificou após o Democracia Cristã anunciar oficialmente Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República. Rebelo reagiu publicamente à decisão, classificando a escolha como uma “afronta” e um “balão de ensaio”, além de afirmar que permaneceria na disputa presidencial independentemente da mudança promovida pela direção partidária.

Ainda nesta semana, Aldo Rebelo afirmou que a decisão da executiva nacional estaria ligada a uma suposta preocupação política envolvendo o avanço do caso Master em Alagoas. Segundo o ex-ministro, integrantes da oposição estariam utilizando o escândalo nas eleições estaduais e circulando informações relacionadas aos negócios da família Caldas na prefeitura de Maceió.

Durante entrevista à CNN Brasil, Rebelo declarou que existiria preocupação de João Caldas em buscar algum tipo de proteção política diante da possibilidade de desdobramentos da investigação chegarem ao Supremo Tribunal Federal. O dirigente partidário é pai do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, conhecido como JHC, apontado como possível candidato ao governo de Alagoas neste ano.

Após o anúncio da abertura do processo disciplinar, Aldo Rebelo divulgou comunicado criticando a medida adotada pelo partido. Segundo ele, a nota da direção nacional não atinge sua honra nem sua dignidade pública porque não apresentaria fatos concretos que justificassem uma punição considerada extrema contra sua filiação partidária.

O ex-ministro também afirmou que a decisão demonstra incoerência com o princípio da livre manifestação partidária, dificuldade da legenda em conviver com opiniões divergentes e violação das garantias constitucionais do devido processo legal. Rebelo argumentou ainda que a própria nota do partido anteciparia uma expulsão sumária antes mesmo da conclusão formal do procedimento disciplinar.

Apesar da crise interna, Aldo Rebelo afirmou que manterá sua pré-candidatura presidencial até a realização da convenção partidária. Segundo ele, somente a convenção nacional possui legitimidade para decidir soberanamente sobre a escolha dos candidatos que representarão o partido nas eleições presidenciais deste ano.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil


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