A defesa do ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, retomará nesta semana as negociações para firmar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. A nova tentativa ocorre após a rejeição formal da primeira proposta apresentada à Polícia Federal, considerada insuficiente pelos investigadores responsáveis pela Operação Compliance Zero.
As conversas devem ocorrer até sexta-feira e serão conduzidas pelo advogado Sérgio Leonardo, que assumiu sozinho a articulação após a saída do criminalista José de Oliveira Lima, conhecido como Juca. A estratégia da defesa é convencer os procuradores de que a proposta inicial ficou para trás e que uma nova colaboração poderá trazer informações relevantes e inéditas para as investigações em andamento.
Mesmo após a recusa da Polícia Federal, integrantes da PGR mantiveram abertas as negociações com a equipe do ex-banqueiro. Segundo fontes ligadas às tratativas, os procuradores avaliam que ainda existe possibilidade de avanço caso Vorcaro apresente elementos concretos capazes de esclarecer pontos considerados centrais pela investigação.
Os delegados da PF rejeitaram os primeiros anexos da colaboração sob argumento de que o conteúdo era seletivo, superficial e não apresentava fatos novos. Os investigadores sustentam que o material não ajudava a preencher lacunas identificadas em mensagens, documentos e registros obtidos a partir da apreensão dos celulares do empresário.
Entre os pontos considerados insuficientes pela corporação estaria a ausência de detalhes sobre pagamentos mensais de R$ 500 mil e despesas de luxo supostamente destinadas ao senador Ciro Nogueira. Segundo a linha investigativa da PF, os benefícios teriam sido concedidos em troca de apoio político a interesses do Banco Master no Senado Federal.
A investigação também cobra esclarecimentos sobre a participação do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, e de seu primo Felipe no esquema investigado. Ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão durante fases recentes da operação, medida interpretada nos bastidores como um sinal claro de insatisfação da PF com o nível de colaboração apresentado pelo empresário.
O ambiente das negociações ficou ainda mais desgastado após a defesa de Vorcaro informar ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, que recorreria à Segunda Turma da Corte caso a colaboração não fosse homologada. A manifestação foi interpretada como uma tentativa de pressão institucional e provocou reação negativa do magistrado.
Nos bastidores, integrantes da investigação afirmam que a decisão da PGR de continuar dialogando com os advogados teve como objetivo evitar questionamentos futuros sobre eventual proteção a nomes citados nos anexos já apresentados.
Durante o período de tensão nas negociações, Daniel Vorcaro deixou a sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal em Brasília e chegou a ser transferido para uma cela de passagem considerada precária por seus advogados. Posteriormente, André Mendonça autorizou o retorno do empresário à sala original.
A decisão foi vista por interlocutores da defesa como uma espécie de recomeço das tratativas. A expectativa agora é que Sérgio Leonardo apresente uma segunda proposta de colaboração com informações mais amplas para tentar reabrir oficialmente o caminho da delação premiada.
Foto: Célio Azevedo/Agência Senado

