Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirão nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto, para definir a resposta oficial do Brasil à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O encontro está marcado para o meio-dia e reunirá integrantes da área política, econômica, diplomática e de segurança pública.
Participarão da reunião a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. O presidente Lula não estará presente, pois cumpre agenda oficial em Sergipe.
A decisão norte-americana provocou preocupação dentro do governo brasileiro, que vinha atuando nos últimos meses para evitar esse enquadramento das facções. A avaliação de integrantes do Planalto é que a medida pode gerar repercussões diplomáticas e afetar a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado transnacional.
Embora ainda não tenha definido os detalhes da resposta oficial, Lula pretende enfatizar a defesa da soberania nacional ao abordar o tema. Auxiliares do presidente, porém, trabalham para calibrar o discurso e evitar interpretações de que o governo estaria minimizando a gravidade das ações das facções criminosas.
Nos bastidores, a principal preocupação é que uma reação mal conduzida possa transmitir à opinião pública a impressão de complacência com organizações criminosas. O governo tem procurado reforçar sua atuação no combate ao crime organizado e considera o tema sensível do ponto de vista político.
A administração federal também foi surpreendida pela forma como ocorreu o anúncio norte-americano. Segundo integrantes do governo, não houve comunicação prévia por parte de Washington antes da divulgação da decisão pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Nos últimos meses, o governo brasileiro defendia o fortalecimento da cooperação policial e de inteligência entre os dois países como alternativa para enfrentar organizações criminosas que atuam internacionalmente. O primeiro integrante do governo a comentar o tema foi o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, que afirmou que a cooperação entre nações é importante, mas ressaltou que qualquer justificativa para intervenções externas é inaceitável
Foto: Washington Costa/MF

