Novas tecnologias estão transformando o trabalho de brigadistas que atuam no combate aos incêndios florestais em áreas de conservação do Cerrado. Ferramentas como torres de monitoramento em tempo real, algoritmos capazes de identificar fumaça e aplicativos que funcionam sem conexão à internet vêm contribuindo para reduzir o tempo de resposta aos focos de incêndio e aumentar a proteção de importantes áreas ambientais.
As iniciativas contam com apoio do Programa Copaíbas, criado para promover ações de conservação nos biomas Amazônia e Cerrado. O programa atua no fortalecimento de unidades de conservação, no combate ao desmatamento e no apoio a povos indígenas e comunidades tradicionais. A gestão é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com financiamento da Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas.
Segundo a gerente do programa, Paula Ceotto, além de investir em equipamentos de proteção individual e infraestrutura para brigadas, o Copaíbas passou a apoiar projetos voltados ao Manejo Integrado do Fogo.
“Desde 2025, uma chamada específica destinou R$ 5 milhões para projetos em unidades de conservação e áreas do entorno, fortalecendo ações de prevenção e combate aos incêndios”, explicou.
Uma das experiências mais recentes está sendo desenvolvida no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul. Em maio deste ano entrou em operação uma torre equipada com câmeras de alta resolução e tecnologia capaz de identificar sinais iniciais de fumaça quase em tempo real.
O sistema utiliza algoritmos que analisam continuamente as imagens captadas pelas câmeras e enviam alertas imediatos às equipes responsáveis pelo monitoramento. De acordo com o consultor ambiental da Fundação Neotrópica do Brasil, Guilherme Dalponti, a principal vantagem é a rapidez na identificação dos focos.
Diferentemente de alguns sistemas baseados exclusivamente em imagens de satélite, que podem apresentar atraso na detecção, a torre permite respostas mais rápidas e eficientes.
Instalada em um ponto estratégico do parque, a estrutura já alcança aproximadamente 90% da área da unidade de conservação, que possui cerca de 76 mil hectares. O projeto também inclui treinamento de brigadistas comunitários e ações de educação ambiental voltadas às comunidades da região.
Outra inovação apoiada pelo Programa Copaíbas é o aplicativo Caminho do Fogo, desenvolvido pela Rede Contra Fogo. A ferramenta foi criada para auxiliar equipes que atuam em áreas remotas e reúne informações sobre localização, ocorrências e deslocamento das brigadas.
Mesmo sem acesso à internet, os brigadistas conseguem registrar dados, monitorar operações e compartilhar informações posteriormente com outros sistemas. Segundo o coordenador da rede, Ivan Anjo Diniz, o aplicativo facilita tanto o combate quanto o planejamento das ações de prevenção.
A plataforma também registra os trajetos percorridos pelas equipes durante as operações, contribuindo para a segurança dos brigadistas e facilitando o retorno à base em regiões de difícil acesso.
Atualmente, o sistema está sendo testado em diferentes localidades, incluindo Alter do Chão, no Pará, e o Parque Nacional das Emas, em Goiás. A expectativa é que a primeira versão oficial do aplicativo seja lançada em julho de 2026.
Combinando monitoramento por satélite, informações geográficas e registros operacionais em uma única plataforma, a ferramenta promete ampliar a eficiência das ações de combate ao fogo e fortalecer a proteção dos ecossistemas do Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do país.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

