A proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro entra nesta semana em um momento considerado decisivo pelas autoridades responsáveis pelas investigações e pela equipe de defesa do empresário. A expectativa é que a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avancem na avaliação do material entregue e indiquem os próximos passos das negociações para um eventual acordo.
Tanto a PF quanto a PGR ainda analisam os documentos e anexos apresentados pela defesa. Segundo pessoas que acompanham as tratativas, uma reunião entre representantes das duas instituições e os advogados de Vorcaro poderá ocorrer nos próximos dias para discutir ajustes, complementações e eventuais exigências relacionadas à proposta.
A nova versão da colaboração foi apresentada na semana passada, após a rejeição da primeira tentativa de acordo. Desde então, o conteúdo vem passando por revisões e acréscimos. Investigadores solicitaram esclarecimentos sobre diferentes pontos da narrativa apresentada pelo ex-banqueiro, além de informações adicionais consideradas relevantes para o andamento das apurações.
A segunda proposta foi protocolada na segunda-feira da semana passada e já passou por mais de uma rodada de alterações. A expectativa é que novos complementos sejam incorporados ao material à medida que as autoridades aprofundem a análise dos relatos e documentos fornecidos.
As negociações ocorrem sob um regime especial de acesso da defesa ao empresário, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero. Desde o dia 25 do mês passado, os advogados têm mantido reuniões diárias com Vorcaro, entre 9h e 17h, para revisar informações e discutir os termos da possível colaboração.
Esse regime excepcional, no entanto, tem prazo para terminar na próxima sexta-feira. Depois disso, voltará a vigorar a regra comum de visitas, limitada a 30 minutos por dia. A proximidade desse prazo aumenta a pressão por uma definição sobre os rumos das negociações.
De acordo com integrantes da investigação, a análise desta nova etapa será fundamental para definir se o acordo poderá avançar para uma fase mais concreta. As autoridades avaliam não apenas a consistência dos relatos, mas também a existência de provas, documentos e informações inéditas capazes de serem confirmadas por outros elementos da investigação.
A apreciação conjunta da proposta ocorre após PF e PGR adotarem uma estratégia coordenada para examinar pedidos de colaboração relacionados à operação. O objetivo é evitar divergências sobre os termos dos acordos e garantir uma avaliação unificada dos materiais apresentados.
Segundo interlocutores envolvidos nas tratativas, a nova versão entregue por Vorcaro apresenta relatos mais detalhados e robustos do que os constantes na proposta rejeitada anteriormente. O primeiro documento, mantido sob sigilo judicial, teria sido considerado insuficiente por não trazer confissões claras nem informações novas em quantidade considerada adequada para justificar benefícios penais. A expectativa agora é que a análise das autoridades indique se os avanços apresentados serão suficientes para viabilizar a continuidade das negociações.
Foto: Ana Paula Paiva

