As mudanças climáticas têm provocado impactos cada vez mais profundos nos territórios quilombolas brasileiros, afetando a produção agrícola, a segurança alimentar, a preservação cultural e a permanência das famílias em suas comunidades. O tema ganhou destaque durante o encontro nacional de mulheres quilombolas realizados no Distrito Federal, onde lideranças de diferentes regiões do país relataram dificuldades provocadas por secas prolongadas, chuvas intensas e transformações ambientais que ameaçam modos de vida construídos ao longo de gerações.

Na comunidade quilombola de Nova Esperança, localizada em Baraúna, no Rio Grande do Norte, a agricultora Sueli Bessa lembra que a produção agrícola já foi mais abundante. Segundo ela, frutas que faziam parte da paisagem e da alimentação local tornaram-se cada vez mais raras devido às alterações no clima. O aumento dos períodos de estiagem e a irregularidade das chuvas reduziram a produtividade das plantações e dificultaram a manutenção da agricultura familiar.

A comunidade, formada por dezenas de famílias, enfrenta ainda problemas de infraestrutura. A falta de pavimentação das estradas e a ausência de abastecimento regular de água agravam os desafios enfrentados pelos moradores. Durante períodos de chuva intensa, o acesso à localidade torna-se difícil, enquanto a seca prolongada compromete o funcionamento de poços e limita a produção agrícola.

Diante desse cenário, muitas famílias precisaram buscar alternativas de renda fora do território. Parte dos moradores passou a trabalhar em áreas urbanas próximas, reduzindo a participação na agricultura que historicamente sustentava a comunidade. Mesmo assim, iniciativas de produção artesanal, como geleias e compotas, continuam sendo importantes fontes de renda e de preservação cultural.

As dificuldades enfrentadas em Nova Esperança refletem uma realidade observada em diversos territórios quilombolas do país. Durante o encontro nacional, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas apresentou um estudo que reúne relatos de mulheres sobre os efeitos das mudanças climáticas em diferentes biomas brasileiros.

O levantamento aponta que os impactos ambientais se somam à pressão exercida por grandes empreendimentos econômicos, atividades de mineração, monoculturas, exploração de recursos naturais e projetos de infraestrutura instalados próximos aos territórios tradicionais. Segundo as lideranças quilombolas, essas atividades frequentemente alteram cursos d’água, afetam a biodiversidade e comprometem formas tradicionais de produção.

As mulheres destacam que são frequentemente as primeiras a perceber as mudanças ambientais e desempenham papel central na preservação dos territórios. Elas participam do monitoramento de recursos naturais, da conservação de sementes, da produção de alimentos e da transmissão de conhecimentos tradicionais para as novas gerações.

Entre as principais reivindicações apresentadas está a aceleração dos processos de regularização fundiária. As lideranças argumentam que a titulação definitiva dos territórios é fundamental para garantir proteção ambiental, segurança jurídica e condições adequadas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Na comunidade quilombola Mesquita, em Goiás, existe expectativa pela conclusão do processo de demarcação territorial. Os moradores relatam que a ausência de titulação facilita disputas por terra e dificulta a preservação de atividades tradicionais, como o cultivo do marmelo, produto que se tornou símbolo cultural da comunidade e base para a produção de doces e geleias.

Situação semelhante é observada na comunidade Divino Espírito Santo, no Espírito Santo, conhecida pela produção artesanal de beiju. Os agricultores relatam que as alterações climáticas e a proximidade de atividades agrícolas intensivas têm afetado o cultivo da mandioca, matéria-prima essencial para a fabricação do alimento tradicional.

Para as lideranças quilombolas, proteger os territórios significa preservar não apenas áreas de produção agrícola, mas também histórias, tradições e identidades construídas ao longo de séculos. Elas defendem que o enfrentamento das mudanças climáticas deve incluir políticas públicas voltadas à proteção dos territórios tradicionais, ao fortalecimento da agricultura familiar e à garantia dos direitos das comunidades que historicamente contribuem para a conservação ambiental em todas as regiões do Brasil.

As mudanças climáticas têm provocado impactos cada vez mais profundos nos territórios quilombolas brasileiros, afetando a produção agrícola, a segurança alimentar, a preservação cultural e a permanência das famílias em suas comunidades. O tema ganhou destaque durante o encontro nacional de mulheres quilombolas realizado no Distrito Federal, onde lideranças de diferentes regiões do país relataram dificuldades provocadas por secas prolongadas, chuvas intensas e transformações ambientais que ameaçam modos de vida construídos ao longo de gerações.

Na comunidade quilombola de Nova Esperança, localizada em Baraúna, no Rio Grande do Norte, a agricultora Sueli Bessa lembra que a produção agrícola já foi mais abundante. Segundo ela, frutas que faziam parte da paisagem e da alimentação local tornaram-se cada vez mais raras devido às alterações no clima. O aumento dos períodos de estiagem e a irregularidade das chuvas reduziram a produtividade das plantações e dificultaram a manutenção da agricultura familiar.

A comunidade, formada por dezenas de famílias, enfrenta ainda problemas de infraestrutura. A falta de pavimentação das estradas e a ausência de abastecimento regular de água agravam os desafios enfrentados pelos moradores. Durante períodos de chuva intensa, o acesso à localidade torna-se difícil, enquanto a seca prolongada compromete o funcionamento de poços e limita a produção agrícola.

Diante desse cenário, muitas famílias precisaram buscar alternativas de renda fora do território. Parte dos moradores passou a trabalhar em áreas urbanas próximas, reduzindo a participação na agricultura que historicamente sustentava a comunidade. Mesmo assim, iniciativas de produção artesanal, como geleias e compotas, continuam sendo importantes fontes de renda e de preservação cultural.

As dificuldades enfrentadas em Nova Esperança refletem uma realidade observada em diversos territórios quilombolas do país. Durante o encontro nacional, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas apresentou um estudo que reúne relatos de mulheres sobre os efeitos das mudanças climáticas em diferentes biomas brasileiros.

O levantamento aponta que os impactos ambientais se somam à pressão exercida por grandes empreendimentos econômicos, atividades de mineração, monoculturas, exploração de recursos naturais e projetos de infraestrutura instalados próximos aos territórios tradicionais. Segundo as lideranças quilombolas, essas atividades frequentemente alteram cursos d’água, afetam a biodiversidade e comprometem formas tradicionais de produção.

As mulheres destacam que são frequentemente as primeiras a perceber as mudanças ambientais e desempenham papel central na preservação dos territórios. Elas participam do monitoramento de recursos naturais, da conservação de sementes, da produção de alimentos e da transmissão de conhecimentos tradicionais para as novas gerações.

Entre as principais reivindicações apresentadas está a aceleração dos processos de regularização fundiária. As lideranças argumentam que a titulação definitiva dos territórios é fundamental para garantir proteção ambiental, segurança jurídica e condições adequadas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Na comunidade quilombola Mesquita, em Goiás, existe expectativa pela conclusão do processo de demarcação territorial. Os moradores relatam que a ausência de titulação facilita disputas por terra e dificulta a preservação de atividades tradicionais, como o cultivo do marmelo, produto que se tornou símbolo cultural da comunidade e base para a produção de doces e geleias.

Situação semelhante é observada na comunidade Divino Espírito Santo, no Espírito Santo, conhecida pela produção artesanal de beiju. Os agricultores relatam que as alterações climáticas e a proximidade de atividades agrícolas intensivas têm afetado o cultivo da mandioca, matéria-prima essencial para a fabricação do alimento tradicional.

Para as lideranças quilombolas, proteger os territórios significa preservar não apenas áreas de produção agrícola, mas também histórias, tradições e identidades construídas ao longo de séculos. Elas defendem que o enfrentamento das mudanças climáticas deve incluir políticas públicas voltadas à proteção dos territórios tradicionais, ao fortalecimento da agricultura familiar e à garantia dos direitos das comunidades que historicamente contribuem para a conservação ambiental em todas as regiões do Brasil.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil.


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