A Organização Mundial da Saúde e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçaram nesta segunda-feira a pressão internacional para que os países integrantes do G7 concluam as negociações do tratado global destinado à prevenção e ao enfrentamento de futuras pandemias.

Em uma manifestação conjunta divulgada durante a realização da cúpula do grupo das maiores economias industrializadas, os dirigentes defenderam que os líderes mundiais assumam o compromisso político necessário para destravar os pontos ainda pendentes do acordo, considerado essencial para evitar a repetição dos problemas observados durante a crise sanitária provocada pela covid-19.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e Lula afirmaram que a comunidade internacional não pode interromper um processo que levou anos de negociações e que surgiu justamente da constatação de que o mundo não estava preparado para responder de forma coordenada a uma emergência sanitária de grandes proporções.

Segundo eles, a etapa mais delicada das negociações envolve a definição do mecanismo de acesso a patógenos e de repartição dos benefícios obtidos a partir do compartilhamento dessas informações científicas. O sistema deverá estabelecer regras para a troca rápida de dados sobre agentes infecciosos com potencial pandêmico e também disciplinar a distribuição de vacinas, medicamentos, testes diagnósticos e outras tecnologias desenvolvidas a partir dessas descobertas.

A divergência entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento continua sendo um dos principais obstáculos para a conclusão do texto. Enquanto algumas economias defendem modelos mais flexíveis, muitos países argumentam que é necessário garantir mecanismos claros de equidade para evitar que populações mais vulneráveis enfrentem novamente dificuldades de acesso a insumos médicos essenciais.

No comunicado, Lula e Tedros pediram que os líderes do G7 orientem seus negociadores a comparecerem à próxima rodada de conversas, marcada para julho, com disposição para concluir definitivamente as discussões. Os dois destacaram que a pandemia de covid-19 deixou lições duras para a humanidade e provocou impactos humanos, sociais e econômicos de enorme magnitude.

Eles lembraram que milhões de vidas foram perdidas em todo o planeta e que os prejuízos econômicos alcançaram cifras históricas, afetando governos, empresas e famílias. Para os dirigentes, os investimentos necessários para fortalecer sistemas de vigilância epidemiológica e mecanismos de resposta rápida representam uma fração dos danos causados por uma nova crise sanitária global.

Lula e Tedros também ressaltaram que especialistas continuam alertando para a possibilidade concreta de novas pandemias nas próximas décadas. Diante desse cenário, defenderam que a cooperação internacional deve ser vista como uma estratégia de proteção coletiva.

Segundo eles, países que compartilham informações sobre novos agentes infecciosos precisam ter confiança de que também receberão acesso justo aos tratamentos e tecnologias produzidos posteriormente. A mensagem final foi de que nenhuma nação consegue enfrentar sozinha ameaças sanitárias globais, já que a circulação de um vírus em qualquer região do planeta pode, em pouco tempo, produzir consequências para toda a humanidade.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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