O inverno começou oficialmente no Hemisfério Sul às 5h24 deste domingo e seguirá até 22 de setembro, quando terá início a primavera. Tradicionalmente associada a temperaturas mais baixas, redução das chuvas em algumas regiões e dias mais curtos, a estação deste ano deverá apresentar características diferentes em diversas áreas do Brasil devido à atuação do fenômeno climático El Niño, cujo retorno foi confirmado recentemente pela National Oceanic and Atmospheric Administration, agência norte-americana responsável pelo monitoramento oceânico e atmosférico.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais da região equatorial do Oceano Pacífico. O fenômeno influencia os padrões climáticos em várias partes do planeta e costuma provocar alterações significativas no regime de chuvas e nas temperaturas. O nome surgiu entre pescadores do Peru e do Equador, que associavam o aquecimento das águas ao período do Natal, em referência ao Menino Jesus.
Segundo especialistas, a atuação do fenômeno deverá tornar o inverno menos rigoroso em grande parte do território brasileiro. De acordo com o meteorologista Melquizedek Rafael Duarte da Silva, a tendência é de temperaturas acima da média especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Isso ocorre porque o aquecimento do Pacífico favorece a formação de bloqueios atmosféricos que dificultam o avanço das massas de ar frio para essas áreas.
Além do aumento das temperaturas, o fenômeno também pode provocar alterações importantes no volume de chuvas. A Região Sul, que já costuma registrar precipitações durante o inverno, poderá enfrentar episódios de chuva mais intensa e frequente. Especialistas alertam que a combinação entre as condições típicas da estação e os efeitos do El Niño pode aumentar o risco de eventos extremos, com elevados acumulados de chuva em curtos períodos de tempo, favorecendo alagamentos, enxurradas e outros transtornos.
Apesar das projeções climáticas, os meteorologistas ressaltam que a previsão de longo prazo tornou-se mais complexa nos últimos anos. O avanço das mudanças climáticas globais e o aumento das temperaturas médias do planeta alteraram a dinâmica dos sistemas atmosféricos, dificultando estimativas precisas sobre duração, intensidade e abrangência de fenômenos climáticos. Como consequência, períodos de calor, estiagem ou chuva intensa podem se prolongar além do comportamento observado em décadas anteriores.
Do ponto de vista astronômico, o inverno ocorre porque o Hemisfério Sul passa a receber menor quantidade de radiação solar ao longo do dia. Enquanto isso, o Hemisfério Norte vive o verão e recebe maior incidência de luz e calor provenientes do Sol. Essa diferença de inclinação da Terra em relação ao astro é responsável pela alternância das estações do ano.
No Brasil, os efeitos do inverno variam significativamente conforme a localização geográfica. Em Chuí, município mais ao sul do país, os dias de inverno possuem menos de dez horas de luz solar, com amanheceres mais tardios e entardeceres antecipados. Já em Macapá, situada praticamente sobre a linha do Equador, a duração dos dias permanece quase constante durante todo o ano, tornando as diferenças sazonais muito menos perceptíveis. Dessa forma, embora o inverno tenha começado oficialmente para todo o país, suas características serão sentidas de maneiras bastante distintas entre as diferentes regiões brasileiras.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

