O mercado financeiro voltou a elevar suas projeções para a inflação e para a taxa básica de juros em 2026, de acordo com os dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central. O levantamento reúne estimativas de instituições financeiras e consultorias econômicas sobre os principais indicadores da economia brasileira.

A projeção para a taxa Selic em 2026 passou de 13,75% para 14,00%, registrando a terceira semana consecutiva de alta. O movimento reflete a avaliação de parte dos analistas de que o Banco Central poderá manter uma política monetária mais restritiva por um período prolongado para conter as pressões inflacionárias. Para 2027, a estimativa permaneceu em 12,00%. Já para 2028 e 2029, as projeções ficaram estáveis em 10,25% e 10,00%, respectivamente.

No caso da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expectativa para 2026 subiu de 5,30% para 5,33%. Trata-se da décima quinta revisão consecutiva para cima. Para 2027, a projeção avançou de 4,10% para 4,15%, enquanto para 2028 passou de 3,68% para 3,70%. A estimativa para 2029 permaneceu em 3,50%, mantendo estabilidade por várias semanas.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), utilizado como referência em contratos de aluguel e outros reajustes, apresentou comportamento diferente. A projeção para 2026 recuou de 6,22% para 6,15%, interrompendo uma sequência de altas. Para 2027, houve leve aumento para 4,08%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 permaneceram praticamente estáveis.

Os preços administrados pelo governo, que incluem tarifas públicas e combustíveis, mantiveram projeção de 5,00% para 2026. Para 2027 houve pequena alta, enquanto as expectativas para 2028 e 2029 ficaram próximas da estabilidade.

Em relação ao crescimento econômico, os analistas passaram a prever expansão de 1,98% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, marcando a quinta elevação consecutiva da estimativa. Para os anos seguintes, as projeções permaneceram praticamente inalteradas, indicando crescimento moderado da economia brasileira.

No mercado cambial, a expectativa para o dólar em 2026 foi mantida em R$ 5,20. Para 2027 houve leve ajuste para cima, enquanto as projeções para 2028 e 2029 seguiram estáveis. Os números refletem a percepção de continuidade dos desafios fiscais e monetários que devem influenciar o comportamento da economia nos próximos anos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


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