O mercado financeiro brasileiro iniciou julho sob influência do cenário externo. O dólar voltou a fechar acima de R$ 5,20 nesta quarta-feira (1º), enquanto a bolsa de valores registrou queda, refletindo principalmente a expectativa de que os juros permaneçam elevados nos Estados Unidos por mais tempo. A perspectiva fortaleceu a moeda norte-americana e reduziu o interesse de investidores por ativos considerados de maior risco, como os de mercados emergentes.

O dólar comercial encerrou o dia com valorização de 0,92%, cotado a R$ 5,209. Durante a sessão, a moeda chegou a atingir R$ 5,219, maior nível intradiário desde o fim de março. Apesar da alta registrada no pregão, a divisa norte-americana ainda acumula queda de 5,08% no ano.

A principal preocupação dos investidores continua sendo a política monetária dos Estados Unidos. O mercado avalia que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, deverá manter uma postura cautelosa antes de iniciar um ciclo de redução das taxas de juros. Com os rendimentos elevados dos títulos do Tesouro americano, aumenta a procura pelo dólar e diminui o fluxo de recursos destinados a economias emergentes.

Os agentes financeiros também acompanharam indicadores da economia dos Estados Unidos. Dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que o setor privado criou 98 mil empregos em junho. Agora, a atenção se volta para a divulgação do relatório oficial do mercado de trabalho, conhecido como payroll, considerado um dos principais indicadores utilizados pelo Fed para definir os próximos passos da política monetária.

No mercado doméstico, investidores monitoraram a divulgação de indicadores econômicos e notícias relacionadas ao cenário político, fatores que contribuíram para um ambiente de maior cautela ao longo do dia.

O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão com queda de 0,20%, aos 171.688 pontos. Durante a sessão, o indicador alternou momentos de baixa mais intensa e recuperação parcial, comportamento típico do início de semestre, período marcado por ajustes nas carteiras de investimentos.

Entre os principais destaques do pregão, as ações do setor bancário apresentaram desempenho misto. Os papéis de empresas ligadas ao petróleo oscilaram acompanhando a queda da cotação internacional da commodity, enquanto as mineradoras fecharam próximas da estabilidade.

O Banco Central informou que o fluxo cambial brasileiro permaneceu positivo em US$ 7,168 bilhões até 26 de junho. Apesar do resultado favorável, o dado teve impacto limitado sobre os negócios. A expectativa dos investidores permanece concentrada nos próximos indicadores da economia norte-americana, que deverão orientar o comportamento do dólar, da bolsa e dos investimentos internacionais nas próximas semanas.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


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