O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, demonstrou incômodo com o agravamento da tensão institucional no Judiciário após o afastamento de dirigentes da Polícia Federal, determinado pelo ministro André Mendonça.
Segundo relatos feitos à CNN Brasil, Fachin mostrou impaciência em conversas reservadas depois que Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Pessoas próximas ao relator afirmam que o presidente do Supremo foi informado sobre a decisão.
Apesar do aviso, Fachin teria avaliado que a medida aumentou a crise na Corte. Depois, ele conversou sobre o assunto com ministros do STF e com integrantes da área jurídica do governo.
O presidente do tribunal, entretanto, sinalizou cautela diante da possibilidade de encaminhar o afastamento para análise do plenário. Fachin vem sendo pressionado a adotar uma posição firme sobre a crise e já declarou que não deixará de atuar quando considerar necessário.
A expectativa para esta quarta-feira (9) é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre em contato com Fachin. Lula deverá reforçar o entendimento do governo de que a decisão de Mendonça avançou sobre uma prerrogativa do Poder Executivo.
Integrantes próximos ao ministro Alexandre de Moraes defendem que ele evite ampliar o confronto e aguarde uma decisão de Fachin. O presidente do Supremo concedeu prazo de 72 horas para Mendonça justificar o afastamento. Críticos afirmam que a decisão mencionou suposto monitoramento realizado pela Polícia Federal, mas não apresentou provas que sustentassem essa acusação
Foto: Gustavo Moreno/STF

