A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes que permanecem na disputa para representar o Brasil no Oscar de 2027. A escolha definitiva será divulgada em 16 de setembro, quando a comissão responsável indicará o longa-metragem brasileiro que buscará uma vaga na categoria de melhor filme internacional.
Os finalistas são 100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo; Feito Pipa, de Allan Deberton; Nosso Segredo, de Grace Passô; e Vicentina Pede Desculpas, dirigido por Gabriel Martins.
A relação foi definida a partir de uma pré-lista formada por 15 produções nacionais, divulgada pela Academia Brasileira de Cinema em agosto. Agora, os integrantes da comissão deverão analisar os seis concorrentes antes da votação que determinará qual título será encaminhado oficialmente à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos.
A seleção como representante brasileiro não garante uma indicação ao Oscar. Cada país pode inscrever somente um filme na disputa pela categoria internacional. Depois de receber as produções escolhidas por diferentes países, a Academia norte-americana avalia os títulos e prepara uma lista preliminar, conhecida como shortlist.
Em uma etapa posterior, os votantes definem os cinco filmes que serão efetivamente indicados ao prêmio. Portanto, o longa escolhido pelo Brasil ainda precisará superar outras fases até alcançar a cerimônia. A definição dos indicados costuma ampliar a visibilidade internacional das obras, de seus diretores, atores, produtores e demais profissionais envolvidos.
A cerimônia do Oscar de 2027 está marcada para 14 de março. O evento reunirá as principais produções avaliadas pela Academia em diferentes categorias e será realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos. A disputa por melhor filme internacional tradicionalmente reúne obras produzidas fora do mercado norte-americano e faladas predominantemente em outros idiomas.
O cinema brasileiro atravessa um período de maior projeção na premiação. Em 2025, Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, conquistou o primeiro Oscar do país na categoria de melhor filme internacional. A produção também recebeu reconhecimento em outras disputas e ampliou a presença do Brasil no circuito mundial.
No ano seguinte, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, voltou a colocar o Brasil entre os indicados. O longa, porém, não venceu a categoria, cujo prêmio foi entregue à produção norueguesa Valor Sentimental.
A nova seleção reúne cineastas com trajetórias e propostas distintas. Carlos Saldanha possui experiência em grandes animações internacionais, enquanto Eliza Capai desenvolve trabalhos ligados ao documentário. Rafaela Camelo, Allan Deberton, Grace Passô e Gabriel Martins também representam diferentes vertentes da produção contemporânea brasileira.
Até o anúncio de 16 de setembro, os seis filmes continuarão sendo avaliados pela comissão. A obra vencedora passará a representar oficialmente o país, mas sua campanha dependerá da recepção entre os membros da Academia internacional e do cumprimento das regras estabelecidas para a categoria.
A definição brasileira constitui, assim, apenas o primeiro passo de uma disputa prolongada. Entre a escolha nacional e a indicação oficial, o filme selecionado deverá conquistar espaço em exibições, debates e ações de divulgação voltadas aos votantes. O resultado final será conhecido oficialmente somente durante a cerimônia de março de 2027.
Foto: Daniel Cole

