Na disputa pela reeleição, o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apresenta um programa de governo baseado na continuidade e na ampliação de políticas adotadas durante o atual mandato. Entre as principais propostas estão a criação do Ministério da Segurança Pública, a manutenção do aumento real do salário mínimo, novos investimentos em saúde e educação e o fortalecimento da indústria nacional.
A Agência Brasil publica até domingo (20) matérias sobre os programas de governo de todos os candidatos à Presidência nas eleições deste ano. Os textos seguem a ordem alfabética dos nomes dos concorrentes. Nesta sexta-feira (18), são apresentados os planos de Flávio Bolsonaro, Hertz Dias, Leonardo Avalanche e Lula.
Na área econômica, o programa petista promete manter a política de valorização do salário mínimo, com reajustes sempre superiores à inflação. O documento também prevê isenção de impostos para produtos da cesta básica e medidas destinadas a controlar a inflação de forma duradoura. O objetivo declarado é assegurar que a renda dos trabalhadores cresça acima do custo de vida.
Para a saúde, a campanha propõe criar o que chama de maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo. O plano prevê investimentos em diagnóstico, tratamento, técnicas modernas, equipamentos e atualização da oferta de medicamentos quimioterápicos e imunoterápicos. A intenção é ampliar o acesso dos pacientes aos recursos disponíveis no Sistema Único de Saúde.
Outra proposta é expandir o Farmácia Popular, programa criado em 2004 que oferece medicamentos da atenção primária para diferentes doenças. Em um eventual quarto mandato, Lula pretende incluir exames laboratoriais gratuitos, além de procedimentos de diagnóstico e monitoramento de condições crônicas. Hipertensão arterial e diabetes estão entre as doenças que poderão ser acompanhadas pelo programa.
Na segurança pública, o candidato defende a criação de um ministério específico para o setor. A nova pasta teria a responsabilidade de coordenar, em parceria com estados e municípios, a execução das políticas nacionais da área. Também buscaria integrar as diferentes esferas de governo no combate ao crime organizado e às milícias.
O programa prevê ainda o fortalecimento do Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio. Entre as prioridades estão o combate ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos, a interrupção dos fluxos financeiros de grupos criminosos e a ampliação da segurança nos presídios. A campanha sustenta que a atuação articulada entre os governos é necessária para enfrentar organizações com presença em diferentes regiões.
Na educação, Lula promete ampliar a rede de institutos federais de ensino técnico e tecnológico. A expansão deverá priorizar o interior do país, as periferias urbanas, os chamados vazios educacionais e os municípios com baixa oferta de cursos técnicos. O plano também menciona a ampliação das creches, o avanço do ensino em tempo integral e a criação de novas oportunidades de acesso aos ensinos técnico e superior.
Para a indústria, a proposta é aprofundar a política de neoindustrialização. O programa aponta como áreas estratégicas a inovação, a inteligência artificial, os minerais críticos e outros setores considerados capazes de ampliar a participação brasileira em atividades de maior conteúdo tecnológico. A campanha afirma que esses investimentos podem colocar o país em posição de destaque em segmentos econômicos do futuro.
As medidas de combate à corrupção incluem a continuidade do Plano de Integridade e Combate à Corrupção 2025–2027. O documento promete fortalecer mecanismos de prevenção, investigação e responsabilização de corruptos e corruptores, além de aperfeiçoar políticas de transparência. A proposta prevê que o Portal da Transparência passe a utilizar mais dados abertos e ferramentas de inteligência artificial.
O programa também reserva espaço para a defesa da soberania nacional, tema reiterado por Lula durante o terceiro mandato, especialmente após a imposição de tarifas de importação pelos Estados Unidos. O candidato promete proteger as fronteiras e fortalecer a Base Industrial e Tecnológica de Defesa. A medida envolve investimentos nas Forças Armadas para ampliar a capacidade de proteção do território e dos recursos naturais brasileiros.
Na área de Inteligência de Estado, o plano propõe reforçar a prevenção de ameaças geopolíticas, tecnológicas, cibernéticas e relacionadas ao crime organizado transnacional. A atividade, segundo o texto, deverá permanecer civil e subordinada ao Estado Democrático de Direito, à neutralidade político-partidária, aos direitos fundamentais e ao controle democrático. O documento rejeita expressamente o uso dos órgãos de inteligência para perseguição política.
Na política externa, um eventual novo governo Lula pretende concentrar esforços na integração da América do Sul e na defesa da região como zona de paz. O Mercosul continuará como prioridade da diplomacia brasileira. A proposta é consolidar o bloco como principal plataforma de integração econômica, produtiva, política e social sul-americana, ao mesmo tempo em que o país busca ampliar sua autonomia e sua presença nas decisões internacionais. A campanha afirma que a cooperação regional será essencial para enfrentar crises, reduzir desigualdades e promover desenvolvimento com estabilidade.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

