Por Marco Aurelio Carone
No período do governo tucano, a Cemig chegou a acumular quase uma centena PCH – Pequenas Centrais Hidroelétricas – que só existiam no papel. Afilhados do Poder executavam um estudo de viabilidade, conseguiam a outorga do governo federal para em seguida vendê-las para CEMIG por milhões, que as destinavam às gavetas.
Prática que, por causar enorme prejuízo, a empresa foi objeto de investigações, desta forma, este procedimento julgava-se extinto na empresa. Até que em 29 de junho deste ano, a Cemig SIM comprou 100% da empresa Genesys Participação Societária Ltda., dona do projeto de três usinas geradoras de energia que funcionarão em Prudente de Morais, Montes Claros e Jequitibá.
O valor da compra foi de R$ 100 milhões, mas o comunicado não revelou o valor de cada uma dessas usinas, nem tampouco a capacidade que cada uma delas tem de geração. Além da Genesys, que é uma empresa capixaba, aparece no mesmo comunicado o nome do sócio, Antônio Carlos Torres, como detentor de parte do negócio.

Se trata de um grupo fundado há pouco mais de um ano, quando a Genesys se estabeleceu, um detalhe chama atenção no Fato Relevante publicado: “Fechamento da Operação está sujeito ao cumprimento de condições precedentes usuais nesse tipo de aquisição. O valor total a ser desembolsado pela Cemig SIM será de aproximadamente R$100 milhões e ocorrerá a medida em que as usinas entrarem em operação, com previsão da UFV Prudente Morais para julho e UFV Montes Claros para setembro de 2022, e UFV Jequitibá para fevereiro de 2023”.
Ou seja, as usinas não estão prontas. Para especialistas do mercado: “na melhor das hipóteses a operação serviu apenas para que de posse do compromisso de compra pela Cemig, a Genesys Participação Societária Ltda., conseguisse com facilidade o financiamento para execução das obras”.
A Genesys, vendida por R$ 100 milhões, tem um capital social de R$ 50 milhões; a empresa tem sua sede no município de Serra, no bairro que tem o sugestivo nome de “Laranjeiras”.

