Aliado de Jair Bolsonaro (PL), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), já admite a interlocutores que o chefe do governo federal não deve conseguir virar o jogo e que o ex-presidente Lula (PT) deverá ser eleito no domingo (30).
Segundo Guilherme Amado, do Metrópoles, “Lira acha que o episódio Roberto Jefferson foi a pá de cal na candidatura de seu aliado”.
O presidente da Câmara seguirá expressando apoio a Bolsonaro, mas no domingo, em caso de confirmação da vitória do petista, pretende parabenizá-lo, em uma indicação de que não apoiará uma eventual aventura golpista de seu aliado.
Bolsonaro estacionado
Segundo Lira, Bolsonaro está perdendo a eleição em razão de diferenças abissais a favor de Lula no Nordeste, entre os eleitores que percebem menos de dois salários mínimos e junto às mulheres.
“O corte de gênero é terrível para Bolsonaro, que está perdendo onde pais e filhos são bolsonaristas, mas as esposas e filhas preferem outros candidatos, principalmente Lula. Quanto mais agressivo for o marido bolsonarista, mais convicta fica sua companheira de que não deve votar em Bolsonaro. É uma faixa de eleitores na qual a campanha desagrega a família, mas o voto não muda”, afirmou.
De acordo com Lira, números recorrentes nas duas últimas semanas de campanha são um sinal de que dificilmente haverá uma viragem. “Bolsonaro está estacionado num terreno adverso, que não era previsto por seus estrategistas. Supunha-se que a melhoria no ambiente econômico o levaria à reeleição, mas não é o que está ocorrendo”, disse.

