Durante discurso em evento do banco BTG Pactual, em São Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que o Congresso fará a reforma fiscal “possível”, e “não a que cada um tem na cabeça”.

Segundo Lira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria concordado em apresentar um “texto médio” aos parlamentares.

Um texto radical para um lado ou outro não terá sucesso no Plenário do Congresso”Arthur Lira

O presidente da Câmara disse que espera um projeto de reforma fiscal “equilibrado, que trate de responsabilidade fiscal sem esquecer responsabilidade social“. A preocupação socioeconômica é uma bandeira defendida pelo presidente Lula (PT) em seus discursos.

Lira ainda fez elogios a Haddad pelo seu relacionamento com o Congresso para tratar sobre o tema econômico. O ministro já teria até se reunido com todos os líderes parlamentares para buscar apoio e ouvir soluções, segundo o presidente da Câmara.

“O ministro Haddad tem sido uma das figuras mais importantes do PT no diálogo com Congresso. Ele não tem se furtado, se ausentado, mas tem conversado e mostrado interesse”, disse Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados.

No sentido contrário às críticas de Lula ao BC (Banco Central), Lira ainda afirmou não enxergar “má vontade nem má-fé que justifique qualquer ação mais incisiva” do presidente em relação ao órgão monetário. Por fim, o deputado disse não ver “nenhuma possibilidade de mudança em relação à autonomia do BC”, algo defendido por congressistas do PT e aliados de Lula.

“Lula e Campos Neto [presidente do BC] são duas pessoas que vão saber dialogar. [É preciso] trazer esse debate para o bastidor, ajustar o que for preciso”, disse Arthur Lira.

Hoje, no mesmo evento, o ministro da Economia disse que o governo Lula deve apresentar uma nova âncora fiscal até março. Segundo Haddad, objetivo da antecipação é melhorar o diálogo sobre a nova regra para o controle das contas públicas.

Inicialmente, o texto seria apresentado em abril para tramitar junto à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) no Congresso, disse Haddad. Porém, em conversa com a ministra Simone Tebet e com o vice-presidente Geraldo Alckmin — das pastas do Planejamento e Desenvolvimento, respectivamente — ficou decidido o adiantamento do projeto.

“Nós vamos em março, provavelmente, anunciar o que nós entendemos que seja a regra fiscal adequada para o país. O Congresso estabeleceu agosto, tínhamos puxado para abril por causa da LDO, mas a Simone ponderou, com razão, e Alckmin também, que para mandar pro Congresso junto com a LDO era bom a gente ter um período de discussão, porque não tenho a pretensão de ser o dono da verdade”, disse Fernando Haddad.


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