O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania criou um grupo de trabalho contra o discurso de ódio e o extremismo. A portaria com a criação foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial.
O grupo é composto por 29 pessoas — cinco representantes do ministério e 24 da sociedade civil.
A ex-deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) presidirá o grupo. O influenciador Felipe Neto, a jornalista da Folha de S. Paulo Patricia Campos Mello e o epidemiologista Pedro Hallal também fazem parte. Os quatro já relataram ter sido alvos de ameaças e perseguição.
O objetivo dos integrantes é apresentar “estratégias de combate ao discurso de ódio e ao extremismo”. Eles também terão que propor políticas públicas em direitos humanos sobre o tema.
A participação será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada. O grupo terá duração de 180 dias, prorrogáveis se necessário.
Parte dos integrantes do grupo já relatou ter sido alvo de ameaças ou perseguição. Felipe Neto relata ameaças a ele e seus familiares desde 2019 — na época, ele afirmou que tirou a mãe do Brasil. Na última segunda-feira (20), o influenciador que apoiou a eleição de Lula (PT) afirmou que foi ameaçado por um bolsonarista em Paris.
O influenciador criticou hoje a falta de transparência de plataformas digitais e cobrou respostas por parte das empresas. Ele participou da abertura de uma conferência mundial sobre desinformação, na capital francesa.
“O que vocês estas fazendo e como estão dormindo pela noite? Como falam de direitos humanos e usam radicalização para lucrar?”, disse Felipe Neto.
O influenciador contou como foi alvo de ataques por parte do governo de Jair Bolsonaro e denunciado por corrupção de menores. A ação foi arquivada porque não havia elementos contra ele. “Usaram tática de guerra para me desacreditar e me silenciar”, disse.
Segundo ele, a ofensiva continua, mesmo depois da eleição. “Eles estão mais bravos e estão tentando para silenciar todos os que tem um pouco de razão“, afirmou.
Candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad em 2018, Manuela d’Ávila já denunciou ataques e ameaças de morte que sofreu pela internet. Manuela divulgou um print, no qual ela é xingada, ameaçada de morte e estupro.
Campos Mello foi alvo de insultos misóginos e mentiras. Em junho do ano passado, Bolsonaro foi condenado a indenizar a jornalista por uma declaração sobre o caso.
Em fevereiro de 2020, o então presidente disse a apoiadores que a jornalista “queria dar o furo a qualquer preço contra mim”. “Furo” é um jargão jornalístico para uma informação exclusiva.
Pedro Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas (RS), teve que assinar um Termo de Ajustamento de Conduta após fazer críticas à gestão da pandemia pelo governo, em 2021. Na época, ele afirmou ter passado por um episódio de perseguição na sua cidade, que denunciou à PF.
Também estão no grupo:
Camilo Onoda Caldas, advogado, como relator;
Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista;
Débora Diniz Rodrigues, antropóloga;
Esther Solano, doutora em ciências sociais;
Felippe Mendonça, advogado;
Guilherme Stolle Paixão e Casarões, doutor em ciência política;
João Cezar de Castro Rocha, escritor e historiador;
Isabela Oliveira Kalil, doutora em antropologia social;
Letícia Maria Costa da Nobrega Cesarino, doutora em antropologia sociocultural;
Dolores Aronovich Aguero, professora universitária e ativista feminista;
Lusmarina Campos Garcia, teóloga;
Magali do Nascimento Cunha; doutora em ciências da comunicação;
Marcos Xururu, cacique do povo indígena;
Michel Gherman, doutor em história social;
Nina Santos, pesquisadora em comunicação;
Rosane da Silva Borges, jornalista e doutora em comunicação e linguagem;
Ricardo Campos;
Ronilso Pacheco, teólogo;
Rosana Pinheiro-Machado, antropóloga;
Rodney William Eugênio, doutor em ciências sociais.

