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Por Geraldo Elísio (Repórter)

Oito pessoas foram mortas na última sexta-feira por policiais militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal, na Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. Isto durante uma operação para prender Adriano Souza Bento, conhecido como Chico Bento, que pela segunda vez escapa de uma matança.

Naturalmente como de praxe tais mortes renderão medalhas a ornarem os pleitos inflados dos policiais autores dos disparos fatais, uma prática comum entre as milícias brasileiras, causando a admiração de fantasiosos imbecis extasiados com o combate à criminalidade e desconhecendo em muitos casos a prática de crimes no combate à criminalidade.

A mais letal operação de 2022 começou a ocorrer antes das cinco horas da madrugada, fechando escolas. Clínicas e suspendendo sistemas de vacinação contra a Covid 19. Moradores dos locais onde ocorrem tais morticínios acusam as mortes de crianças e pessoas idosas sendo vítimas de balas perdidas.

A polícia disse ter apreendido sete fuzis, quatro granadas e setenta e dois quilos de basta base de cocaína, um pouco menos das quantidades transportadas por traficantes ligados ao uso de aviões da FAB para o comércio ilícito de drogas para outros países e um número incrivelmente baixo face à meia tonelada presa pela Polícia do Espírito Santo, a bordo de um avião pertencente ao ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, com suspeitas recaindo sobre o deputado federal Aécio Neves e aeroportos então irregulares, um pouco antes da irmã dele, Andrea Neves, a Goebels das Alterosas se transformar em ex-presidiária da penitenciária feminina de Belo Horizonte.

Em protesto disse um dos moradores do local:

– Quem não é morador de favela, jamais saberá a tensão que ficamos em dias de operação e com tantos tiros. Pensando que iremos morrer ou que alguém próximo vai. Que um tiro pode atravessar sua parede a qualquer momento e acertar seus pertences ou família.

Há “informações de números elevados de pessoas executadas no Complexo da Penha, durante essa operação da polícia”, escreveu em sua rede social outro morador.

Desrespeito à decisão do STF

A operação desta sexta na Penha também ocorreu a despeito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. Garantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a medida prevê que policiais justifiquem a excepcionalidade para realização de uma operação policial em uma favela no Rio durante o estado de pandemia.

Na semana passada, a Corte determinou que o governador Cláudio Castro (PSC) adotasse medidas para reduzir a letalidade de ações policiais em comunidades do estado. Os ministros também deram prazo de 90 dias para apresentação do plano.

A vereadora do Rio. Monica Benício (Psol) classificou mais essa operação policial como uma “barbárie”. “Mais uma vez, sobram balas pra favela. Desde as 5h ninguém sai pra trabalhar ou pra escola no Complexo da Penha, já são 8 mortos pela PM. Clínicas da família fechadas, vacinação e testagem interrompidas. Ontem Jacaré, hoje Vila Cruzeiro. Isso é barbárie! A favela quer paz.”

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) também chamou de “guerra” a ação do Estado e criticou o “novo” programa de “ocupação social” do governo estadual, que tem como promessa levar políticas sociais, urbanização e segurança pública para as comunidades. “Não tem bom dia possível com uma cidade completamente em guerra. Cenas de tiroteio, barbárie e genocídio do povo negro-periférico. Fica exaustivo falar. Cansa. Não aguentamos mais! Parem de nos matar!”, exigiu.

Porém os generais continuam se amerdalhando.

A todas as pessoas citadas nesta matéria automaticamente é garantido o direito da resposta no espaço tamanho e corpo.


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