José Luís Oliveira Lima, renomado criminalista e novo advogado do general Walter Braga Netto, garantiu em entrevista ao “Estadão”, que o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro não tem intenção de realizar delação premiada. Braga Netto, preso preventivamente no inquérito que investiga planos golpistas, está indignado com as acusações e nega qualquer envolvimento em conspirações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“O general não praticou crime algum, portanto, não fará colaboração”, declarou Oliveira Lima. O advogado afirmou que seu cliente é um democrata e não participou de reuniões golpistas ou de qualquer plano contra a democracia. Braga Netto teria ficado surpreso e indignado com a prisão, realizada no último sábado (14). A defesa, que visitou o general na prisão em uma instalação militar no Rio de Janeiro, informou que sua prioridade será agendar um depoimento para esclarecer pontos que considera importantes.
Segundo a Polícia Federal (PF), Braga Netto teria tentado obstruir as investigações ao buscar informações sigilosas sobre a delação do tenente-coronel Mauro Cid e alinhar versões com outros envolvidos. Além disso, a PF o acusa de financiar, em 2022, ações de oficiais conhecidos como “kids pretos” para assassinar Moraes, Lula e Alckmin, entregando recursos em uma sacola de vinho. A delação de Mauro Cid foi central para essas acusações.
Oliveira Lima refutou veementemente essas alegações, classificando-as como “mentiras” baseadas exclusivamente na palavra de um delator com “credibilidade zero”. “É no mínimo curioso que, após meses, o colaborador, que já mudou de versão várias vezes, agora traga essa fantasia”, criticou o advogado.
Entre as evidências apresentadas pela PF está uma apresentação encontrada em um computador apreendido na sala de assessores de Braga Netto. O documento teria sido usado em palestras para defender o “poder de pressão política” das Forças Armadas e sua participação nas decisões nacionais. A PF também apontou que o general pressionou o então comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, para apoiar o golpe.
Braga Netto, apontado como “figura central” do plano golpista, foi citado 98 vezes no relatório da investigação e é um dos 40 indiciados por crimes como organização criminosa, golpe de Estado e abolição violenta do Estado de Direito. Apesar das graves acusações, Oliveira Lima afirmou que o general mantém esperanças de provar sua inocência. “Ele quer esclarecer os fatos o mais rápido possível”, concluiu o advogado.
Foto: Arquivo pessoal

