O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (24/3) que o Brasil ocupa posição de protagonismo em temas centrais da agenda global, como segurança alimentar, transição energética e combate às mudanças climáticas. A declaração foi feita durante participação no seminário “Rumos 2025”, promovido pelo jornal *Valor Econômico*, em São Paulo.
No evento, que reuniu autoridades, especialistas e empresários para discutir os desafios e oportunidades do país, Alckmin ressaltou o papel estratégico do Brasil no atual contexto geopolítico. Ele destacou a importância das relações com parceiros históricos, como Estados Unidos e China, além de defender uma política comercial mais ampla, pautada pela reciprocidade e pelo multilateralismo.
“Temos uma relação com os Estados Unidos que já dura mais de 200 anos. É para lá que exportamos produtos com maior valor agregado, como aviões, automóveis e equipamentos. A negociação deve ser baseada no ganha-ganha. Nosso objetivo é melhorar o comércio exterior e abrir mais mercados para o Brasil”, afirmou Alckmin.
Ele também sublinhou que a China continua sendo o maior parceiro comercial brasileiro e reiterou a prioridade do governo em promover o multilateralismo e o livre comércio. “Temos mais de 3 mil empresas americanas no Brasil. A disposição do país é clara: fortalecer os laços comerciais e expandir as parcerias estratégicas”, completou.
Alckmin mencionou ainda a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão como parte da estratégia de ampliar a presença internacional do Brasil. Segundo ele, o comércio exterior é fundamental para o crescimento econômico, e o governo está comprometido com uma indústria mais inovadora, sustentável, competitiva e voltada à exportação.
O presidente em exercício também destacou avanços importantes já alcançados nesta gestão, como a aprovação da Reforma Tributária, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), e os investimentos em educação, com destaque para o programa Pé-de-Meia, que busca evitar a evasão no ensino médio. “Tivemos uma recuperação significativa do emprego na indústria, com salários melhores, maior inovação e foco na sustentabilidade. Valorizamos a creche, a escola em tempo integral e a permanência do aluno na escola”, afirmou.
Sobre a política fiscal, Alckmin enfatizou a importância do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais. Também citou o programa Crédito do Trabalhador, que permite a troca de dívidas caras por alternativas mais baratas. “É uma medida de justiça tributária e social. Quem ganha mais, paga mais. Quem ganha menos, paga menos. É uma forma de promover o equilíbrio e ampliar a renda disponível das famílias”, explicou.
No campo ambiental, Alckmin reafirmou que o Brasil é uma referência global. “Somos protagonistas na segurança alimentar, energética e ambiental. Mudamos nossa postura em relação ao desmatamento. Hoje temos uma atuação firme nesse combate”, afirmou. Ele lembrou que o país sediará a COP 30, em Belém, em 2025, o que, segundo ele, representa uma grande oportunidade para apresentar ao mundo os avanços brasileiros.
Alckmin destacou a apresentação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil na COP29, realizada em Baku, Azerbaijão. “Nosso compromisso é reduzir entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035. É uma meta ousada, mas plenamente viável”, garantiu.
Em relação ao fomento de investimentos verdes, o ministro mencionou programas que priorizam a sustentabilidade, como o Mobilidade Verde (Mover), o Fundo Clima e o Fundo Amazônia. “O Mover atraiu R$ 130 bilhões em recursos. Em 2023, enquanto o setor automotivo cresceu 2% no mundo, no Brasil cresceu 9,7%. Isso mostra que temos um ambiente favorável à inovação e à transição verde”, avaliou.
Alckmin acrescentou que o Brasil tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com cerca de 90% da energia elétrica proveniente de fontes renováveis — como hidrelétricas, solar, eólica e biomassa. “Nosso potencial para atrair investimentos na transição ecológica é imenso”, enfatizou.
No campo da política monetária, Alckmin defendeu medidas que reduzam o custo do crédito para empresas e consumidores. Citou a criação da Letra de Crédito para o Desenvolvimento (LCD), voltada para os setores do comércio e da indústria, como exemplo de iniciativa que pode impulsionar a economia. “Já existia a LCA para o agronegócio e a LCI para o setor imobiliário. Agora temos a LCD, que fortalece o crédito produtivo”, explicou.
O presidente em exercício também abordou a alta recente nos preços dos alimentos. Segundo ele, a inflação foi influenciada por fatores como a seca e a valorização do dólar, mas a expectativa para 2025 é positiva. Alckmin destacou a importância de fortalecer o estoque regulador da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para evitar grandes oscilações nos preços.
“Com as mudanças climáticas, precisamos estar preparados para safras irregulares. Quando a produção for elevada, o ideal é armazenar parte para garantir equilíbrio no futuro. A Conab pode atuar estrategicamente, comprando em momentos de baixa e oferecendo ao mercado quando houver escassez. Isso ajuda a segurar os preços e controlar a inflação”, explicou.
Para Alckmin, a tendência é de recuperação na produção agrícola. “Esperamos um crescimento de quase 10% na safra este ano. Em 2023, a indústria foi o motor do PIB. Este ano, a agricultura poderá dar uma contribuição decisiva para o crescimento econômico”, projetou.
A segurança pública também esteve entre os temas tratados. O presidente em exercício defendeu maior integração entre os entes federativos e articulação com os países vizinhos para enfrentar o crime organizado e o tráfico de drogas. “Precisamos de políticas coordenadas, que extrapolem as fronteiras nacionais. E acredito que a decisão do Supremo Tribunal Federal de ampliar as competências dos municípios na área de segurança vai nessa direção”, afirmou.
O seminário “Rumos 2025” tem como objetivo discutir as perspectivas do Brasil nos próximos anos, reunindo especialistas em temas como economia, comércio global, sustentabilidade ambiental e segurança pública. Entre os painéis previstos, estão debates sobre o cenário fiscal, o novo contexto das cadeias de suprimento internacionais e os impactos da crise climática. O evento busca apontar caminhos para que o país possa crescer de forma sustentável, inclusiva e resiliente frente aos desafios globais.
Foto: Cadu Gomes/VPR

