O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira, dia 20, que considera natural a redução da jornada de trabalho no Brasil, destacando, porém, a necessidade de respeitar as particularidades de cada setor da economia. A declaração foi feita durante visita à cidade de Cubatão, onde acompanhou investimentos industriais.
Alckmin reforçou apoio ao fim da escala 6 x 1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos com um dia de descanso. Segundo ele, a discussão deve ocorrer de forma ampla, levando em conta as diferenças entre atividades econômicas e modelos produtivos.
O presidente em exercício argumentou que transformações tecnológicas recentes, como o avanço da inteligência artificial e da automação, estão criando condições para mudanças nas jornadas de trabalho. Ele citou exemplos em setores como agricultura, indústria e serviços, onde a mecanização e o uso de sistemas automatizados têm aumentado a produtividade.
Na avaliação de Alckmin, essas mudanças permitem repensar o tempo dedicado ao trabalho, abrindo espaço para jornadas menores sem necessariamente comprometer a produção. Ele destacou que áreas como a medicina já passam por transformações, com o uso crescente de tecnologias em exames e diagnósticos.
Na semana anterior, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas. A proposta também prevê o fim gradual da escala seis por um, incentivando a adoção do modelo cinco por dois, com dois dias de descanso semanal.
O texto foi enviado com urgência constitucional, o que acelera sua tramitação no Legislativo. Ainda assim, a proposta mantém a possibilidade de jornadas diferenciadas, como a escala doze por trinta e seis, desde que respeitado o limite semanal estabelecido.
Dados do governo indicam que cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham atualmente no regime seis por um, enquanto aproximadamente 37 milhões têm jornadas superiores a 40 horas semanais. A proposta busca equilibrar qualidade de vida e produtividade, permitindo ajustes por meio de acordos coletivos.
Durante a agenda em Cubatão, Alckmin também comentou sobre o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que terá aplicação provisória a partir de 1º de maio. Segundo ele, o acordo representa avanço importante em um cenário global marcado por medidas protecionistas.
De acordo com o presidente em exercício, a medida permitirá ampliar exportações brasileiras, com redução ou eliminação de tarifas para diversos produtos. Ele afirmou que a iniciativa pode abrir novos mercados e fortalecer a economia nacional.
Alckmin também destacou que a viagem internacional de Lula à Europa nesta semana deve contribuir para ampliar parcerias comerciais e atrair investimentos. A agenda inclui compromissos em países como Espanha, Alemanha e Portugal, com foco na expansão das relações econômicas e comerciais do Brasil.
Foto: Júlio César Silva/MDIC

