O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, iniciou nesta quarta-feira, dia vinte e sete, uma missão oficial de dois dias no México com o objetivo de fortalecer as relações políticas, ampliar os laços comerciais e atrair investimentos para o Brasil. A comitiva desembarcou na Cidade do México na noite anterior e, já no início das atividades, Alckmin se reuniu com representantes do setor privado local.
A agenda do vice-presidente prevê como ponto alto um encontro com a presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional, marcado para quinta-feira, dia vinte e oito. O governo brasileiro aposta nessa aproximação para destravar oportunidades em áreas estratégicas como indústria, agronegócio, saúde e tecnologia.
Durante um café da manhã com empresários, Alckmin destacou o papel central dessa missão. “A tarefa é a gente aproximar ainda mais essas duas maiores democracias da América Latina e maiores economias da região. Investimentos recíprocos, complementaridade econômica, comércio exterior, turismo, visto eletrônico, aproximar duas grandes nações para a gente ter mais comércio, mais investimento, mais emprego, mais oportunidades.”
Entre os pontos discutidos está a necessidade de atualizar o Acordo de Complementação Econômica nº 53 (ACE 53), firmado em dois mil e dois, que já prevê a redução ou eliminação de tarifas de importação sobre cerca de oitocentas posições tarifárias. Alckmin defendeu que o acordo seja ampliado para contemplar novos produtos e serviços. “Ele pode ser muito mais amplo ainda, incluindo novos produtos e serviços para exportação e importação. O comércio exterior é mão dupla.”
Em dois mil e vinte e quatro, a corrente de comércio entre Brasil e México somou treze bilhões e seiscentos milhões de dólares. Desse total, sete bilhões e oitocentos milhões foram referentes às exportações brasileiras, lideradas por automóveis de passageiros, carnes de aves e veículos de transporte de mercadorias. Já as importações somaram cinco bilhões e oitocentos milhões de dólares, com destaque para peças e acessórios automotivos e veículos prontos.
A missão ocorre em um momento em que os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, adotaram políticas de aumento de tarifas contra diversos parceiros comerciais, o que levou o governo brasileiro a buscar diversificação de mercados. De tudo que o Brasil exporta para os EUA, cerca de trinta e cinco vírgula seis por cento passou a enfrentar tarifas de cinquenta por cento.
Em dois de abril, Trump havia imposto barreiras alfandegárias com base no déficit comercial norte-americano. Como os EUA mantêm superávit com o Brasil, a tarifa inicial foi de dez por cento. Contudo, em seis de agosto, o presidente norte-americano determinou um acréscimo de quarenta pontos percentuais, totalizando cinquenta por cento, em retaliação a decisões que, segundo ele, prejudicariam big techs estadunidenses e em reação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe após as eleições de dois mil e vinte e dois.
Nesse contexto, o Brasil também busca reforçar as negociações de livre comércio com o Canadá por meio do Mercosul, um processo que havia sido interrompido em dois mil e vinte e um. Nesta semana, Alckmin se encontrou com o ministro de Comércio Internacional canadense, Maninder Sidhu, e ambos concordaram que existem condições para retomar o diálogo.
Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), reforçou que o escritório da instituição nos Estados Unidos já atua para fortalecer a presença brasileira no Canadá e no México. “São dois países extraordinários, tem uma logística muito parecida com a dos Estados Unidos. Os Estados Unidos é importante, vamos seguir trabalhando para que mais produtos saiam dessa taxação, que de fato é inexplicável porque nós somos um grande parceiro comercial para eles também, mas trabalhar com o México e com o Canadá é a missão nossa.”
Segundo ele, desde dois mil e vinte e três a ApexBrasil já organizou dezesseis missões internacionais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quatro com o vice-presidente Alckmin e outras dez com ministros e representantes do governo federal.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, também integra a comitiva mexicana e elogiou a estratégia diplomática do presidente Lula. Ele destacou que, nos primeiros dois anos e oito meses de governo, o Brasil conseguiu abrir quatrocentos e nove novos mercados para seus produtos agropecuários. Para Fávaro, esse movimento foi fundamental para minimizar os impactos das tarifas norte-americanas. “Neste momento de incertezas, de um novo modelo comercial que tenta ser imposto ao mundo pelos Estados Unidos, imagine se nós não tivéssemos feito tanto. Parece que era uma predestinação de, como missão no começo do governo, o presidente pedindo para que a gente restabelecesse as boas relações comerciais, que percorresse o mundo em busca de novas oportunidades.”
Ele ressaltou ainda que o México já representa mais de oitocentos milhões de dólares em resultados econômicos para o agronegócio brasileiro, o que equivale a cinquenta por cento do impacto positivo da abertura dos quatrocentos e nove mercados.
Nesta quarta-feira, a comitiva também teve encontros com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado mexicano, Alejandro Murat Hinojosa, e com três ministros locais: Julio Berdegué Sacristán (Agricultura e Desenvolvimento Rural), Juan Ramón de la Fuente (Relações Exteriores) e Marcelo Ebrard (Economia). O primeiro dia de atividades foi encerrado no Encontro Empresarial Brasil-México, espaço voltado para ampliar parcerias comerciais.
Na quinta-feira, Alckmin receberá as chaves da Cidade do México, concedidas pela prefeita Clara Brugada Molina, em reconhecimento à relevância da visita. Em seguida, participará de reuniões com a presidenta Claudia Sheinbaum e com o secretário de Saúde, David Kershenobich.
O segundo dia da missão será dedicado a encontros com empresários mexicanos e culminará em evento da Associação Brasileira de Proteína Animal, que deve reforçar a importância do setor agropecuário brasileiro na pauta comercial entre os dois países.
Ao final da viagem, o governo espera consolidar acordos e reforçar a integração entre Brasil e México, de forma a abrir espaço para novas rodadas de cooperação comercial e política. Para Alckmin, a missão simboliza o compromisso de buscar alternativas em meio ao cenário internacional de tensões econômicas e de reafirmar o papel do Brasil como um parceiro confiável na América Latina.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

