O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (29) que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estaria sendo utilizada para desviar a atenção das denúncias envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro.
Durante agenda em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, Alckmin criticou integrantes da família Bolsonaro e avaliou que o tema ganhou destaque em um momento de forte repercussão das investigações relacionadas ao banco. Segundo ele, a discussão sobre a classificação das facções criminosas estaria sendo usada para deslocar o foco do debate público.
O vice-presidente afirmou que a medida adotada pelos Estados Unidos não representa avanço concreto no combate ao crime organizado. Na avaliação dele, a decisão pode gerar efeitos negativos para a economia brasileira e criar dificuldades adicionais para a cooperação internacional entre os dois países.
O governo norte-americano anunciou que PCC e Comando Vermelho passarão a integrar a lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida amplia instrumentos legais para aplicação de sanções financeiras e outras restrições relacionadas ao combate ao terrorismo.
O anúncio ocorreu poucos dias após encontros realizados em Washington entre o senador Flávio Bolsonaro e autoridades do governo dos Estados Unidos. O parlamentar se reuniu com o presidente Donald Trump e também com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Reportagens do portal The Intercept Brasil divulgaram mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro enviadas ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicitando recursos para custear parte da produção de uma cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, teria sido acordado o repasse de R$ 134 milhões para o projeto, dos quais ao menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente liberados.
Alckmin argumentou que o enfrentamento ao crime organizado deve continuar sendo conduzido pelas instituições brasileiras por meio de investigações, inteligência policial e cooperação internacional. Para ele, a nova classificação das facções não resolve os problemas de segurança pública enfrentados pelo Brasil.
Nos últimos meses, integrantes do governo federal manifestaram preocupação com a possibilidade de PCC e Comando Vermelho serem enquadrados como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A avaliação de setores do Planalto é que a medida pode produzir consequências diplomáticas, econômicas e jurídicas para o país.
Segundo o vice-presidente, a prioridade deve ser o fortalecimento das ações de combate ao crime organizado e da cooperação entre as autoridades, preservando a soberania nacional e evitando iniciativas que possam trazer prejuízos à economia brasileira.
Foto: Cadu Gomes/VPR

