Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passaram a admitir, nos bastidores, que o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, já reúne votos suficientes para ser aprovado pelo plenário na indicação ao Supremo Tribunal Federal. A avaliação ocorre após meses de resistência política à indicação.
De acordo com levantamentos feitos por interlocutores do próprio Alcolumbre, Messias conta atualmente com cerca de quarenta e três votos favoráveis, número ligeiramente acima do mínimo exigido pela Constituição. Apesar de representar avanço em relação às projeções anteriores, o cenário ainda é considerado instável devido à natureza secreta da votação, que abre margem para mudanças de posição entre parlamentares.
O monitoramento dos votos tem sido atualizado diariamente tanto por aliados de Messias quanto por opositores. O cálculo leva em consideração declarações públicas, posicionamentos de bancadas e articulações reservadas no Senado. Esse processo é visto como decisivo na etapa que antecede a sabatina e a votação final.
Entre aliados do advogado-geral da União, a expectativa é mais otimista, com projeções que variam entre quarenta e oito e cinquenta votos favoráveis. Já no entorno de Alcolumbre, a avaliação é de que a aprovação deve ocorrer por margem semelhante à registrada na recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que obteve quarenta e cinco votos favoráveis, considerado um dos placares mais apertados desde a redemocratização.
Historicamente, indicações ao Supremo costumam enfrentar resistências políticas. Entre os atuais ministros, Flávio Dino e André Mendonça tiveram aprovações com margem reduzida, ambos com quarenta e sete votos. Dino enfrentou oposição de setores ligados ao bolsonarismo, enquanto Mendonça teve resistência dentro do próprio grupo político que o indicou.
Nos bastidores, há sinais de que Alcolumbre tem reduzido a intensidade das articulações contrárias à indicação de Messias. A decisão de adiar a sabatina, inicialmente prevista para o fim do ano passado, permitiu ao indicado ampliar o diálogo com senadores. Até o momento, ele já conversou com mais de setenta parlamentares, buscando consolidar apoios.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também atua diretamente na articulação política, reforçando o apoio à indicação. Além disso, figuras da oposição, como o senador Ciro Nogueira, têm contribuído para ampliar o diálogo em torno do nome de Messias.
Outro fator considerado relevante é a atuação de ministros do próprio STF nos bastidores. Entre eles, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Nunes Marques e André Mendonça têm buscado interlocução com parlamentares, contribuindo para a construção de consenso.
A base religiosa também aparece como elemento de influência no processo. Messias, ligado à Igreja Batista, pode contar com apoio de parte da bancada evangélica, incluindo parlamentares de partidos que oficialmente fazem oposição ao governo.
A última rejeição de um indicado ao Supremo pelo Senado ocorreu ainda no século dezenove, o que reforça a expectativa de manutenção desse histórico. A votação deve ocorrer após a sabatina, em um ambiente marcado por intensas negociações políticas e incertezas quanto ao comportamento final dos senadores.

