Integrantes do entorno do senador Flávio Bolsonaro minimizaram os efeitos do caso envolvendo o Banco Master sobre o desempenho do parlamentar nas pesquisas eleitorais e avaliam que ainda existe amplo espaço para recuperação ao longo da disputa presidencial de 2026. A avaliação ocorre após a divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest, que apontou crescimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de segundo turno contra o senador.

De acordo com aliados do pré-candidato do PL, a queda observada nos levantamentos não estaria relacionada exclusivamente às revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, a avaliação predominante é que o governo federal e setores ligados ao PT intensificaram uma estratégia de desgaste político contra adversários considerados competitivos para a sucessão presidencial.

Em abril, antes da divulgação de conversas e áudios relacionados ao financiamento do longa-metragem, Flávio aparecia numericamente à frente de Lula em algumas simulações de segundo turno. Na pesquisa divulgada nesta semana, o cenário foi invertido, com vantagem do atual presidente. Apesar disso, integrantes da campanha avaliam que o processo eleitoral ainda está distante e que oscilações desse tipo são naturais em períodos pré-eleitorais.

A leitura dentro do PL é que o senador registrou crescimento acelerado nos primeiros meses do ano, o que criou uma margem capaz de absorver eventuais recuos temporários sem comprometer a competitividade da candidatura. Segundo interlocutores próximos, o cenário permanece equilibrado e não há preocupação imediata com os números atuais.

Mesmo minimizando os resultados, lideranças do partido reconhecem que a campanha enfrentará desafios importantes nos próximos meses. Entre eles está a necessidade de responder às críticas relacionadas ao caso Master e aos desdobramentos da relação entre Flávio e Daniel Vorcaro. O episódio ganhou repercussão nacional após a divulgação de mensagens e gravações que indicariam pedidos de apoio financeiro para a realização do filme sobre Jair Bolsonaro.

Outro tema que provocou desgaste político foi a recente decisão do governo dos Estados Unidos de anunciar medidas tarifárias que podem afetar exportações brasileiras. A medida foi divulgada dias depois de um encontro entre Flávio Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump, gerando críticas de adversários políticos e questionamentos sobre os impactos da aproximação internacional.

Diante da repercussão, o senador passou a defender publicamente esforços para evitar a implementação das tarifas e procurou se distanciar de interpretações favoráveis às restrições comerciais. Para aliados, essa mudança demonstra capacidade de adaptação diante das circunstâncias políticas e econômicas.

No primeiro turno, a pesquisa mostra Lula liderando a corrida presidencial, seguido por Flávio Bolsonaro. Outros nomes aparecem com percentuais menores, entre eles o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o empresário Renan Santos e o ex-governador mineiro Romeu Zema.

É justamente a presença desses candidatos que alimenta o otimismo dos aliados de Flávio. A avaliação é que a maior parte dos concorrentes posicionados fora do campo governista possui proximidade ideológica com a direita e poderia transferir apoio em um eventual segundo turno contra Lula.

Segundo integrantes do PL, o cenário de 2026 difere significativamente do observado em 2022, quando candidaturas como as de Simone Tebet, Ciro Gomes e Soraya Thronicke ocupavam espaços independentes e mantinham maior distância do bolsonarismo. Para esse grupo, a atual configuração eleitoral cria condições mais favoráveis para uma eventual convergência da direita na etapa decisiva da disputa presidencial.

Foto: Ton Molina/Agência Senado


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