A nova proposta de colaboração premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República ampliou o alcance das investigações relacionadas ao Banco Master. De acordo com informações divulgadas nos bastidores das apurações, os anexos da delação citam ex-governadores, dirigentes partidários e lideranças políticas de diferentes regiões do país.
Entre os nomes mencionados estão os ex-governadores Ibaneis Rocha e Cláudio Castro. Ambos já aparecem em linhas investigativas que vinham sendo desenvolvidas pela Polícia Federal nos últimos meses.
No caso de Ibaneis, a apuração está relacionada às negociações envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Segundo informações reunidas pelos investigadores, foram encontradas mensagens em que o então governador cobrava do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, uma solução para a operação financeira. O governador tem negado qualquer influência indevida ou participação irregular nas tratativas, além de rejeitar vínculos políticos com Vorcaro.
Já Cláudio Castro é citado em episódios ligados aos investimentos realizados pela Rioprevidência em fundos associados ao Banco Master. Os aportes feitos pelo fundo previdenciário estadual passaram a ser alvo de investigação após questionamentos sobre a gestão dos recursos e a relação com instituições financeiras ligadas ao grupo de Vorcaro.
A delação também menciona lideranças do PT da Bahia em operações envolvendo o cartão de benefício consignado Crescesta, voltado para servidores públicos. Os detalhes das acusações ainda permanecem sob análise das autoridades responsáveis pela negociação do acordo de colaboração.
Outro nome citado é o do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Segundo o relato atribuído a Vorcaro, recursos do Banco Master teriam sido destinados a um escritório de advocacia ligado ao dirigente partidário. Além disso, ele é apontado como um dos responsáveis pela indicação de integrantes da antiga diretoria da Rioprevidência. Rueda nega irregularidades e afirma que os serviços prestados ao banco ocorreram dentro da legalidade.
A proposta de delação também inclui referências ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Conforme divulgado anteriormente, Vorcaro teria afirmado ter realizado repasses não contabilizados para uma campanha eleitoral do então candidato ao Senado. Pessoas próximas ao ministro contestam a versão apresentada pelo empresário e sustentam que ele não possuía relação com Vorcaro no período mencionado.
As informações ainda serão analisadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A eventual homologação do acordo dependerá da apresentação de provas e da validação dos elementos fornecidos pelo empresário durante as negociações com as autoridades.
Foto: Banco Master

