Novo relator do inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, reuniu-se nesta sexta-feira com delegados da Polícia Federal para alinhar os próximos passos da investigação. No encontro, ficou definido um cronograma para a apresentação de relatórios sobre o andamento das apurações, que até a véspera estavam sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
A reunião ocorreu no início do dia e teve duração aproximada de duas horas e meia. Segundo informações divulgadas pelo Supremo, o objetivo principal do encontro foi promover o alinhamento de procedimentos e permitir que o novo relator tivesse uma visão detalhada da fase atual do inquérito, que já se encontra em curso e envolve múltiplas frentes de apuração.
Participaram da conversa integrantes do gabinete de Mendonça e delegados responsáveis pelo caso, entre eles a delegada Janaína Palazzo, que conduz os interrogatórios relacionados ao inquérito do Banco Master. O contato direto com a equipe responsável pelas diligências foi considerado essencial para que o ministro compreenda os elementos já reunidos e os próximos atos investigativos previstos.
De acordo com auxiliares do relator, a reunião ocorreu de forma semi-virtual, já que Mendonça está em São Paulo. A estratégia, segundo relatos, foi ouvir detalhadamente os responsáveis pelas investigações para que o ministro possa assumir a condução do caso com pleno conhecimento do material produzido até agora e das linhas de apuração em desenvolvimento.
André Mendonça foi sorteado como novo relator do caso na quinta-feira, após a decisão de Dias Toffoli de deixar a condução do inquérito. A saída ocorreu em meio à repercussão de um relatório da Polícia Federal que menciona o nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apreendido durante diligências.
Nos bastidores do Supremo, interlocutores próximos a Mendonça afirmam que a diretriz adotada pelo ministro será pautada por serenidade e responsabilidade institucional. A expectativa é que ele evite manifestações públicas neste momento inicial, conduzindo o processo de forma discreta para não ampliar a tensão observada na fase anterior da investigação.
Há também a possibilidade de o relator analisar, em momento oportuno, a remessa de parte das apurações à primeira instância. No entanto, segundo pessoas próximas ao ministro, a tendência inicial é manter o inquérito no âmbito do Supremo até que haja maior clareza sobre o alcance das investigações e o envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro.
A redistribuição do caso seguiu o rito previsto no regimento interno da Corte e ocorreu por sorteio. A decisão de Toffoli foi tomada após reunião convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, que apresentou aos demais ministros o conteúdo do relatório policial extraído do aparelho celular de Vorcaro.
Esta é a segunda vez que um inquérito inicialmente relatado por Toffoli passa à relatoria de Mendonça. Em dois mil e vinte e cinco, o ministro também assumiu a investigação sobre descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social, reforçando sua experiência recente em casos de grande repercussão institucional.
Carlos Moura /STF

