União Brasil e Progressistas saíram publicamente em defesa do ministro Dias Toffoli em meio à crise envolvendo o Banco Master e à repercussão de informações obtidas pela Polícia Federal. As legendas reagiram às menções ao nome do ministro encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, apreendido durante as investigações conduzidas pela PF.

Toffoli admitiu ser sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort ao cunhado de Vorcaro e, diante da repercussão do caso, deixou a relatoria do inquérito no Supremo Tribunal Federal. O processo foi redistribuído posteriormente ao ministro André Mendonça, por sorteio, conforme prevê o regimento interno da Corte.

A movimentação política em torno do caso envolve figuras centrais do Congresso Nacional. Conforme noticiado pelo Estadão, uma das pessoas mais próximas de Vorcaro em Brasília era o senador Ciro Nogueira, dirigente do Progressistas. Segundo relatos de interlocutores do parlamentar, ele foi consultado antes de o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, autorizar a oferta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília.

Ibaneis, que pretende disputar o Senado em dois mil e vinte e seis, busca apoio político para viabilizar sua candidatura. Nesse contexto, Ciro Nogueira é apontado como peça-chave na articulação da negociação envolvendo o banco, dada sua influência política e proximidade com lideranças do Distrito Federal.

Ainda antes da formalização da federação União Progressista, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, teria oferecido uma aliança para pavimentar o caminho eleitoral de Ibaneis. Além disso, Ciro apresentou emenda à Proposta de Emenda à Constituição que trata da autonomia financeira do Banco Central, elevando o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.

A proposta foi identificada por parlamentares e integrantes do mercado financeiro como uma das primeiras iniciativas no Congresso com potencial de beneficiar diretamente o Banco Master. Rueda também é citado por parlamentares como articulador de interesses do banco no Legislativo federal.

O União Brasil controla o RioPrevidência, fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, que aplicou cerca de R$ 1 bilhão em ativos do Banco Master. Essa operação passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal, por suspeitas de irregularidades e por ser considerada incompatível com a finalidade do fundo e de elevado risco financeiro.

No Congresso, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, resistem à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master. Segundo apuração do Estadão, Rueda também teria atuado nos bastidores para barrar a CPI, mobilizando parlamentares do União Brasil para tratar do tema.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a federação União Progressista afirmou que as acusações contra Toffoli representam “uma versão caluniosa, que passa a ser tratada como verdadeira justamente pela repetição”. O texto sustenta que há uma tentativa de construir narrativas para colocar a população contra o ministro e defende equilíbrio e respeito às instituições.

Ao final da nota, a federação reiterou confiança na integridade de Dias Toffoli e declarou acreditar que a verdade irá prevalecer. O deputado federal Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade, também divulgou manifestação em defesa do ministro, criticando o que classificou como linchamento moral e pré-julgamentos baseados em vazamentos seletivos de informações.

Foto: PP/Divulgação


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