A Agência Nacional de Mineração afirmou que os vazamentos de água registrados recentemente em áreas de minas exploradas pela Vale, no interior de Minas Gerais, não comprometeram a segurança de barragens ou de outras estruturas de mineração. Segundo a ANM, os eventos ocorreram no Complexo Mina de Fábrica, entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto, e também na mina Viga, em Congonhas.
Em nota oficial, a agência declarou que “não houve ruptura, colapso ou comprometimento de estruturas de barragens ou pilhas de mineração nas ocorrências registradas em áreas da Vale S.A.”. O órgão ressaltou que, no caso específico do Complexo Mina de Fábrica, “o evento esteve associado a infraestrutura instalada em área da operação, sem caracterização de falha estrutural em barragens ou pilhas de mineração”.
Os episódios aconteceram ao longo dos últimos dias e mobilizaram autoridades municipais, estaduais e federais. De acordo com a Prefeitura de Congonhas, o primeiro vazamento ocorreu após o rompimento de uma barreira de contenção de água na Mina de Fábrica. Menos de vinte e quatro horas depois, um segundo vazamento foi identificado em um sumidouro, descrito como tanque secundário, na mina Viga, localizada na estrada Esmeril, a cerca de vinte e dois quilômetros do local da primeira ocorrência.
Após receber ofício da prefeitura, a Vale informou que suspendeu as operações nas duas minas. Diante da situação, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cobrou da ANM uma “solução imediata e efetiva” para o extravasamento de água registrado na mina Viga. No documento encaminhado ao órgão regulador, o ministro chegou a cogitar, “se for preciso”, a interdição das operações, com o objetivo de garantir a segurança das comunidades locais e a proteção do meio ambiente.
No caso da Mina de Fábrica, a ANM detalhou que o rompimento da cava resultou no transbordamento de material que atravessou o dique Freitas, provocando o carreamento de sedimentos e rejeitos de mineração. O vazamento envolveu cerca de duzentos e sessenta e três mil metros cúbicos de água turva, contendo minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral.
Esse volume de água e sedimentos atingiu áreas de outra mineradora, a CSN, provocando danos materiais. Em seguida, o material alcançou o rio Goiabeiras, que corta parte da área urbana de Congonhas, antes de desaguar no Rio Maranhão, já na região central do município. Segundo a CSN, o episódio provocou alagamentos em áreas da unidade Pires, localizada em Ouro Preto.
Em comunicados divulgados ao mercado, a Vale informou que os extravasamentos registrados nas minas de Congonhas e Ouro Preto “foram contidos”, que não houve feridos e que as populações e comunidades próximas “não foram afetadas”. A empresa afirmou ainda que nenhuma das ocorrências tem relação com barragens da companhia na região, que permaneceriam estáveis e monitoradas de forma contínua.
A mineradora sustenta que não houve carreamento de rejeitos de mineração, mas “apenas água com sedimentos”. Segundo a Vale, “as causas dos dois extravasamentos estão sendo apuradas e os aprendizados extraídos serão imediatamente incorporados aos planos de chuva da companhia”.
Posteriormente, a empresa informou que recebeu novo ofício da Prefeitura de Congonhas determinando a suspensão de alvarás de funcionamento das atividades vinculadas às unidades de Fábrica e Viga, além da adoção de medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental. Em resposta, a Vale declarou que “suspendeu operações nas unidades mencionadas” e que irá colaborar integralmente com as autoridades, prestando todos os esclarecimentos necessários.
Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros

