A Transparência Internacional, organização sediada em Berlim que atua em todo o mundo no combate à corrupção, divulgou uma nota criticando o ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil-PR) e o ex-procurador Deltan Dellagnol (Podemos-PR), eleitos senador e deputado federal, respectivamente, por apoiarem o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais sob o pretexto de que o atual presidente levanta a bandeira anticorrupção.

A Transparência Internacional Brasil lamenta profundamente que agentes que efetivamente atuaram no enfrentamento a imensos esquemas de corrupção empresarial e política, com ramificações em dezenas de países, emprestem sua imagem à promoção de forças políticas corruptas e autoritárias no Brasil. O discurso da luta contra a corrupção é sequestrado para viabilizar projetos autoritários de poder”, diz a nota oficial divulgada nesta quarta-feira (5).

No documento, a entidade destaca haver episódios de corrupção no governo Bolsonaro. “Desde 2019, a Transparência Internacional vem documentando e denunciando inúmeros episódios de corrupção no governo Bolsonaro e as vastas evidências de crimes cometidos pelo próprio Presidente da República e seus familiares. Ainda mais grave, denunciamos ao mundo, em diversos relatórios, o desmanche, sem precedentes, dos arcabouços legais e institucionais anticorrupção que o país levou décadas para construir”, diz trecho do texto.

A entidade era uma das maiores defensoras da operação Lava Jato, que tinha Dallagnol como principal procurador e Moro como juiz dos processos originados no Ministério Público Federal.

Após denunciarem e condenarem vários políticos, principalmente do PT, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tirado da disputa de 2018 por Moro, os então juiz e procurador afirmaram que não se lançariam como políticos, concorrendo ou ocupando cargos públicos.

Moro se tornou ministro da Justiça de Bolsonaro no primeiro dia do governo, saindo pouco mais de um ano depois, brigado e acusando o presidente de tentar impedir investigações para proteger filhos, outros parentes e políticos e aliados. Moro chegou a depor contra Bolsonaro na Polícia Federal.

Além de Moro e Deltan, a mulher do ex-ministro, Rosângela, também se filiou a um partido político, sendo eleita deputada federal por São Paulo em 2 de outubro.

A Lava Jato começou a ter sua atuação questionada após o site The Intercept divulgar uma série de mensagens trocadas pelos integrantes da força-tarefa por meio do aplicativo de mensagens Telegram.

O episódio ficou conhecido como Vaza Jato. Após a divulgação do conteúdo, condenações de políticos foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido à suspeição de Moro e supostas ilegalidades cometidas por procuradores. Moro e Deltan viraram alvos de investigações.


Avatar

administrator