Um evento que estava sendo realizado na sede da Líder Interiores, em Carmo do Cajuru, foi interrompido após denúncia de crime eleitoral.

Os trabalhos na fábrica foram interrompidos e todos os funcionários foram “convidados” a participar do encontro, em que estava prevista inclusive a participação do senador eleito Cleitinho Azevedo, que acabou não aparecendo.

Contudo o irmão dele o deputado Estadual Eleito, Eduardo Azevedo, esteve na palestra de coação, que começou já com a presença de membros da Justiça Eleitoral.

O objetivo era nitidamente interferir nos votos dos funcionários das empresas da cidade para convencê-los a votar em Jair Bolsonaro – O prefeito da cidade, Edsom Vilela, por ter outro compromisso, chegou a gravar um vídeo antecipadamente, se dirigindo aos funcionários das empresas que estariam reunidos naquele local pedindo voto para o candidato Bolsonaro. (imagem da fábrica vazia, no momento que trabalhadores participavam forçadamente da reunião)

O Movimento Brasil Acima de Tudo (MBAT), composto por apoiadores de Jair Bolsonaro, enviou mensagem para os funcionários das empresas de Carmo do Cajuru com o convite para o evento na sede da Líder Interiores. A empresa cedeu o espaço e apoiou a iniciativa, que na verdade, se trata de um grave crime eleitoral.

Na convocação, o movimento dizia: “Tema: Conscientização eleitoral. Convidamos de maneira especial a você que está indeciso ou pensando em votar em branco ou nulo para que possa avaliar melhor o seu voto. Contamos com a preciosa presença de todos, desde já agradecemos. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Deus, Pátria, Família e Liberdade. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Para tentar isentar a Líder Interiores da culpa em promover o evento ilegal, a mensagem terminava com o aviso de que a organização estava sendo feita pelo Movimento Brasil Acima de Tudo, portando, sendo responsabilidade exclusiva do Movimento. Porém, a conduta ilegal não dentro da fábrica, ao coagir os funcionários a participar do evento, a torna corresponsável pelo o que aconteceu no local.

Testemunhas que preferiram não ser identificadas revelam que não é a primeira vez que a empresa se alia à campanha de Bolsonaro e usa de ameaças para tentar coagir os funcionários a votar no atual presidente.

Na semana passada, em outro evento, os trabalhadores foram chamados para uma conversa, em que estava presente inclusive o prefeito de Carmo do Cajuru, e os responsáveis pela fábrica disseram, em tom de ameaça, que se Bolsonaro não fosse eleito haveria uma demissão em massa na empresa.

A estratégia foi usar o medo para convencer eleitores petistas, ou indecisos, a votarem em Bolsonaro. No encontro, todos os presentes foram proibidos de gravar imagens ou áudios durante as falas.

Até o Governador de Minas, Romeu Zema participou por meio de um áudio endereçado aos responsáveis da empresa: “Aurélio, boa tarde. Gostaria muito de estar presente aí com vocês. Fico muito satisfeito de você e toda equipe da Líder de Carmo do Cajuru estarem envolvidos num momento tão importante, que é o momento que vai fazer uma diferença muito grande na nossa vida.

Eu sempre saliento que o governo PT em Minas foi lastimável, trágico. Quem tem filho em escola estadual sabe como era a merenda no governo do PT e como ela melhorou nesses últimos 4 anos. Quem é funcionário público também sabe que o PT não pagava o salário em dia. E tudo isso foi corrigido trabalho, com seriedade. E nós temos que continuar com essa seriedade aqui em Minas. E temos que trabalhar para aquilo que está dando certo, continue também em Brasília”, disse Romeu Zema, que não esteve presente no evento.

A organização chegou a dizer que o senador eleito Cleitinho e a o irmão dele, deputado estadual eleito Eduardo Azevedo, estariam presentes no evento para conversar com os trabalhadores da fábrica. Após as denúncias virem a tona, a assessoria de Cleitinho negou que ele tivesse agenda em Carmo do Cajuru. Já Eduardo, foi visto no evento.

Quando souberam que a empresa estava coagindo funcionários a votarem em Bolsonaro, representantes do PT na região registraram uma denúncia de crime eleitoral no Ministério Público.

A justiça eleitoral também foi acionada e enviou dois funcionários para o evento. A determinação foi para que os representantes da justiça fossem autorizados a acompanhar a suposta palestra e gravar imagens e áudios do evento.

Como isso iria acarretar no flagrante do crime que estava prestes a acontecer, os responsáveis pela Líder Interiores dispensaram os funcionários e disseram que, por determinação judicial, o evento teria sido suspenso, sem explicar o porquê. Enquanto isso, as máquinas e toda a linha de produção estavam paradas, já que todos os trabalhadores foram obrigados a participar do encontro.

Funcionários da Líder Interiores relatam que, durante a campanha eleitoral, o clima de trabalho na empresa tem sido hostil, cheio de ameaças. Apenas a equipe do RH é autorizada a permanecer com o celular durante o expediente, enquanto todos os outros trabalhadores são impedidos de usar o aparelho, aparentemente por receio de que alguém grave alguma das frequentes ameaças.

Os trabalhadores contam que os responsáveis pela empresa alegam que durante o governo PT a fábrica enfrentou uma grave crise financeira, que se repetirá caso Bolsonaro não seja reeleito. Ainda diante disso, os chefes estariam falando, frequentemente, que metade dos funcionários seria demitido em caso de vitória de Lula nas eleições.

De acordo com a justiça, esse tipo de ação configura um crime chamado “assédio eleitoral”, que acontece quando o empregador age para ameaçar, coagir ou até prometer benefício para quem votar em determinado candidato.

O Ministério Público do Trabalho informou que até ontem (18) havia registrado quase 450 denúncias de assédio eleitoral durante as eleições deste ano no Brasil. Coagir funcionários em troca de voto é abuso de poder econômico.

O Tribunal Superior Eleitoral também condena qualquer tipo de propaganda eleitoral em ambiente de trabalho. “O assédio moral é crime e como crime será combatido. Aqueles que praticarem o crime, não só responderão civilmente, como penalmente também”, afirmou o ministro Alexandre de Morais, presidente do TSE.

Em 2022 o número de casos desse tipo já é mais que o dobro do registrado nas eleições de 2018. Funcionários que queiram denunciar empresas por assédio eleitoral podem registrar os casos no Ministério Público do Trabalho (MPT), por meio do site mpt.mp.br, na aba Denuncie, ou pelo aplicativo “Pardal”.

Publicado por: Divinews 


Avatar

administrator