O Banco Central (BC) divulgou nesta sexta-feira (11) o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) referente a fevereiro de 2025, trazendo como novidade a apresentação da abertura setorial do indicador. Pela primeira vez, além do resultado agregado, o índice revela o desempenho específico dos principais setores da economia: agropecuária, indústria e serviços.

Na comparação com janeiro, o IBC-Br registrou crescimento de 0,4% em fevereiro. Já no acumulado de janeiro e fevereiro, a economia brasileira avançou 3,8% frente ao mesmo período de 2024. Considerando os últimos 12 meses encerrados em fevereiro, a alta chega a 4,1%. O índice é amplamente utilizado como uma prévia da tendência do Produto Interno Bruto (PIB).

O desempenho positivo em fevereiro foi impulsionado, sobretudo, pela agropecuária, que cresceu 5,6% e compensou a retração de 0,8% da indústria e a leve alta de 0,2% nos serviços.

A divulgação setorial dos dados é uma inovação adotada a partir desta edição. Segundo o BC, todas as séries passam a ter como base o ano de 2022, substituindo o ano-base de 2002 utilizado até março de 2025. Essa mudança também será aplicada aos indicadores do Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), com nova base já na próxima divulgação, prevista para 16 de abril. A alteração do ano-base, contudo, não modifica as taxas de variação dos indicadores.

Ricardo Sabbadini, chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, destacou a importância da nova abordagem. “Ela é importante por disponibilizar séries mensais dos três grandes setores econômicos, calculadas com base em um amplo conjunto de informações de diferentes fontes. Isso será de grande valor para os usuários que já acompanham o IBC-Br”, afirmou.

As novas séries estão disponíveis nos mesmos canais digitais onde o IBC-Br tradicional já é publicado: na Tabela 1 dos Indicadores Econômicos Selecionados e no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do BC. Os metadados dessas séries também foram atualizados, trazendo detalhes sobre a metodologia, os ajustes sazonais aplicados e as referências técnicas utilizadas.

A metodologia do IBC-Br e de seus novos componentes tem como base o Sistema de Contas Nacionais (SCN) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora o índice seja calculado com um conjunto mais limitado de dados. Por isso, o IBC-Br é considerado menos abrangente do que as Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que seguem sendo a principal referência oficial de medição da atividade econômica no país.

Sabbadini também observou que, embora o IBC-Br seja uma aproximação da evolução do PIB, as diferenças entre ele e as séries das CNT tendem a ser mais significativas quando comparadas aos componentes setoriais.

Mesmo com essas limitações, o servidor destacou a relevância do IBC-Br como instrumento de acompanhamento econômico. “A publicação mensal do IBC-Br e de seus componentes, com frequência de aproximadamente 45 dias após o mês de referência, contribui para uma avaliação mais tempestiva da evolução da atividade econômica”, concluiu.

Com a nova estrutura de divulgação, o Banco Central amplia a transparência e oferece mais ferramentas para análise econômica, contribuindo para decisões de agentes públicos e privados. A expectativa é que a iniciativa fortaleça a compreensão dos movimentos econômicos de curto prazo em todo o país.

Foto; Divulgação/ CNA


Avatar

administrator