Os bancos brasileiros mantiveram, em setembro, a projeção de crescimento do crédito em 8,7% para 2025, segundo a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O número repete as estimativas de julho e agosto e confirma a expectativa de desaceleração no ritmo de expansão do crédito, que havia avançado 10,1% no mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Banco Central (BC).

De acordo com o levantamento, a carteira de recursos livres deve crescer 8,0% neste ano, levemente abaixo dos 8,1% da pesquisa anterior. A piora foi puxada pela redução na expectativa de expansão do crédito livre para empresas, que caiu de 5,9% para 5,7%, em razão de “condições financeiras mais restritivas, cobrança de IOF e concorrência em operações direcionadas”, explicou a Febraban. Já o crédito livre para famílias deve crescer 9,6%, ante 9,7% da projeção anterior.

A carteira de crédito direcionado, por sua vez, deve ter desempenho mais forte, com expansão de 9,8% — acima dos 9,6% esperados anteriormente. O principal impulso vem das empresas, cuja alta projetada passou de 10,9% para 12,2%, impulsionada por “novos programas de incentivo do governo federal”. Para as famílias, o crédito direcionado deve crescer 8,9%, uma leve queda em relação aos 9,1% da pesquisa anterior, reflexo do aumento da inadimplência no agronegócio.

“Embora a pesquisa tenha captado estabilidade na projeção de crescimento da carteira total, há uma divergência crescente entre as trajetórias esperadas para as carteiras com recursos direcionados e livres”, avaliou Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban. “De toda forma, as projeções consolidam a perspectiva de alguma acomodação do crédito neste segundo semestre.”

A inadimplência da carteira livre também apresentou leve deterioração: a projeção para 2025 subiu de 5,0% para 5,1%, embora permaneça abaixo dos 5,4% registrados em agosto. Para 2026, a estimativa caiu de 5,0% para 4,9%. Segundo a pesquisa, 60% dos analistas esperam que a inadimplência das famílias mantenha uma tendência “moderada de alta” nos próximos meses.

A maioria dos bancos (85,7%) acredita que o ciclo de redução da taxa Selic começará apenas no primeiro trimestre de 2026. A expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual em janeiro e reduções de 0,50 p.p. nas reuniões seguintes, levando a taxa básica de juros a 13,75% em abril.

Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), 57,1% dos bancos projetam crescimento de 2,2% em 2025, alinhado ao consenso de mercado. No entanto, aumentou o número dos que esperam desaceleração da atividade econômica — de 30% para 38,1%.

Em relação à inflação, 47,6% dos analistas preveem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,3% em 2026, enquanto os demais projetam um índice inferior.

A pesquisa, realizada entre 23 e 29 de setembro, ouviu 21 instituições financeiras logo após a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom).

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 


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