O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (6) que o processo de desaceleração da inflação tem avançado, mas ainda de forma desigual entre os setores da economia. Segundo ele, a redução está concentrada nos preços de bens, enquanto os serviços continuam apresentando alta incompatível com a meta de inflação.
Durante evento da Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, Galípolo destacou que as projeções do mercado seguem apontando inflação acima da meta até 2028, conforme o Boletim Focus divulgado pelo BC. “As expectativas continuam desancoradas, e isso é bastante incômodo para o Banco Central”, declarou.
O presidente reiterou que o objetivo do BC é atingir o centro da meta de 3% e que a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual serve apenas para absorver choques temporários. “Eu tenho uma meta de inflação muito clara, que foi determinada por um comando legal. O BC vai perseguir sua meta e fazer seu trabalho”, afirmou.
Galípolo reforçou que a autoridade monetária pretende manter a taxa Selic em um nível restritivo por um período prolongado. “É preciso prudência. Alterações prematuras na política monetária podem comprometer o avanço no controle dos preços”, disse.
O Boletim Focus mais recente projeta inflação de 4,80% em 2025, 4,28% em 2026, 3,90% em 2027 e 3,70% em 2028.
O presidente do BC ressaltou ainda que a economia brasileira deve passar por uma “suavização” do crescimento, embora continue aquecida. Ele mencionou o aumento do déficit nas transações correntes e afirmou que o país pode estar “para lá do pleno emprego”.
Para sustentar o crescimento sem pressionar os preços, Galípolo defendeu o aumento da produtividade. “Sem ganhos de eficiência, a expansão econômica se traduz em inflação, e não em prosperidade”, avaliou.
Ao comparar a condução da política monetária a um tratamento médico, ele acrescentou: “Ninguém toma uma cartela de antibiótico no primeiro dia, nem interrompe o tratamento nos primeiros sinais de melhora.”
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro, o BC manteve a Selic em 15% ao ano e reafirmou a intenção de preservar os juros em patamar elevado até que o controle inflacionário esteja consolidado.
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

