O Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central) decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,5 ponto percentual. A Selic estava em 13,75% ao ano desde agosto de 2022 e, agora, foi a 13,25% ao ano. Foi o primeiro corte nos juros em três anos.
O que aconteceu:
Esse é o primeiro corte em três anos, desde agosto de 2020.
O Copom justificou a queda de 0,5 ponto percentual com o cenário doméstico, que seria consistente com a expectativa de “desaceleração da economia nos próximos trimestres”.
O ambiente externo, no entanto, “mostra-se incerto, com alguma desinflação sendo observada na margem, mas em um ambiente marcado por núcleos de inflação ainda elevados e resiliência nos mercados de trabalho de diversos países”, segundo a nota.
“O Comitê avalia que a melhora do quadro inflacionário, refletindo em parte os impactos defasados da política monetária, aliada à queda das expectativas de inflação para prazos mais longos, após decisão recente do Conselho Monetário Nacional sobre a meta para a inflação, permitiram acumular a confiança necessária para iniciar um ciclo gradual de flexibilização monetária”, disse o Copom, em nota.
A redução era praticamente uma certeza entre economistas, que divergiam apenas em quanto a taxa seria cortada — alguns acreditavam em 0,25, enquanto outros apostaram em 0,5 ponto percentual.
Pressão do governo
O presidente Lula (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pressionavam pela redução do índice desde o começo do governo. Hoje, eles reforçaram a pressão, com Lula afirmando que Campos Neto, presidente do BC, “não entende de Brasil” e “de povo”.
Antes da reunião de junho, entidades do setor produtivo e financeiro se juntaram à pressão feita pelo governo para apoiar a redução urgentemente.
Hoje, Campos Neto discursou em sessão solene na Câmara e citou a importância da lei de autonomia do BC, que impede o órgão de ter que ceder a demandas do governo.
Mudança no ambiente econômico
Após um semestre de pressões, a gestão de Lula apostava que a aprovação de Gabriel Galípolo, ex-número 2 de Haddad na Fazenda, e Ailton Aquino na diretoria do BC finalmente viraria a pauta a favor do corte da Selic.
A decisão não foi unânime. Houve um total de cinco votos para a redução de 0,5, entre eles Galípolo, Aquino e Campos Neto, contra quatro votos por um corte de apenas 0,25 ponto percentual.
Além disso, desde a última reunião, o arcabouço fiscal foi aprovado na Câmara, apesar de ainda precisa retornar à Casa para revisão das alterações.
Também avançaram as apreciações da reforma tributária, e do voto de qualidade do Carf (Conselho Administrativo Fiscal), ambas precisam ser avaliadas no Senado, após passarem na Câmara.

