A Prefeitura de Belo Horizonte oficializou, neste sábado, dia 6, o reconhecimento das expressões culturais das Irmandades e Guardas do Rosário como Patrimônio Cultural da cidade, após análise e aprovação do Inventário Cultural e do Dossiê de Registro pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, em Reunião Extraordinária. O reconhecimento representa um marco histórico para a salvaguarda das tradições de matriz africana banto que atravessam séculos e permanecem vivas no território da capital mineira.
A oficialização ocorreu durante um encontro comemorativo realizado no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira – CRESAN Mercado da Lagoinha. O evento reuniu representantes das Irmandades, Guardas, mestres e mestras das tradições, pesquisadores, jovens das comunidades do Rosário e autoridades municipais, celebrando práticas que constituem um dos mais expressivos legados culturais da cidade.
Para Eliane Parreiras, secretária municipal de Cultura, o reconhecimento reafirma o compromisso da Prefeitura com políticas construídas a partir do diálogo e da escuta das comunidades. “As Irmandades e Guardas do Rosário são parte estruturante da memória de Belo Horizonte, e protegê-las significa honrar um legado que resiste, se renova e inspira. É uma conquista coletiva, construída com respeito aos mestres, mestras e jovens que mantêm vivas essas celebrações.”
A presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, destacou a relevância do momento. “Reconhecer as Irmandades e Guardas do Rosário como patrimônio é uma forma de agradecer a essas comunidades por tudo o que oferecem à cidade: identidade, espiritualidade, arte e resistência. Essa proteção fortalece a presença dessas comunidades nas políticas culturais e reafirma o papel da cidade em proteger práticas que não apenas contam uma história, mas constroem diariamente o sentimento de pertencimento dos belorizontinos.”
A decisão do Conselho encerra um processo realizado pela Prefeitura entre maio de 2024 e outubro de 2025, conduzido pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Fundação Municipal de Cultura, com participação da instituição AME Cultura e envolvimento direto das comunidades guardiãs do Rosário. O estudo compreendeu a elaboração do Inventário Cultural e do Dossiê de Registro Imaterial, documentando a história, o Ciclo Festivo, os saberes, os espaços de referência, os modos de transmissão e os elementos essenciais à continuidade das trinta e oito Guardas em atividade na cidade.
A pesquisa também contou com a colaboração de lideranças fundamentais, como a Mestra da Cultura Popular Rainha Belinha, Isabel Casimira Gasparino, e o Mestre Geraldo Antônio da Silva. Além disso, dez jovens das comunidades participaram do Ciclo Formativo das Irmandades do Rosário, contribuindo com entrevistas, organização de acervos, registros e trabalhos de campo, garantindo que os próprios detentores das tradições fossem protagonistas na construção do estudo — uma demanda expressa pelas comunidades desde o início.
Durante a celebração deste sábado, cortejos e confraternizações reforçaram vínculos afetivos, identitários e espirituais que caracterizam o Ciclo Festivo das Guardas incluídas no reconhecimento como Patrimônio Cultural. Para Carlos Henrique Bicalho, diretor de patrimônio cultural, a participação dos mestres e mestras foi determinante. “Esse processo só se tornou possível porque foi conduzido junto aos mestres, mestras e integrantes das Irmandades e Guardas. Eles são as maiores autoridades sobre essas práticas e foram fundamentais para definir o que precisava ser documentado, protegido e transmitido. Registrar esse patrimônio é também registrar seus modos de ensinar, celebrar, rezar e manter viva uma tradição que molda a experiência cultural de Belo Horizonte.”
Foto: Rafael Costa

