O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estaria entre os brasileiros que poderão ter seus vistos revogados pelo governo dos Estados Unidos, segundo fontes do bolsonarismo que mantêm contato com integrantes da administração de Donald Trump. Padilha foi responsável pela implementação do programa Mais Médicos em 2013, quando ocupava o mesmo ministério no governo de Dilma Rousseff. O programa foi citado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, como parte de um “esquema de exportação de mão de obra” do regime cubano.

Embora nenhuma autoridade tenha sido nomeada diretamente por Rubio, apurações indicam que Padilha é um dos alvos de Washington. No comunicado oficial divulgado no site do Departamento de Estado, apenas Mozart Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, coordenador-geral da COP30 em Belém, foram mencionados. Ambos participaram da implementação do Mais Médicos há 12 anos, quando integravam a equipe de Padilha no ministério de Dilma.

As restrições fazem parte de um pacote de medidas que, segundo os EUA, visam combater uma rede internacional de “trabalho forçado e tráfico humano” envolvendo cidadãos cubanos, com apoio de governos estrangeiros e do próprio regime de Havana, liderado por Miguel Díaz-Canel.

Rubio afirmou nas redes sociais que “vários funcionários” do governo brasileiro seriam punidos, embora tenha citado oficialmente apenas Mozart e Kleiman. Situação semelhante ocorreu quando os EUA revogaram o visto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, estendendo a medida a seus “aliados” na Corte. Além de Moraes, foram sancionados Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Padilha não se pronunciou sobre a possível sanção até o fechamento desta reportagem. Nas redes sociais, exaltou o Mais Médicos e defendeu seus ex-auxiliares. “Não nos curvaremos a quem persegue as vacinas, os pesquisadores, a ciência e, agora, duas das pessoas fundamentais para o Mais Médicos na minha primeira gestão como ministro da Saúde, Mozart Sales e Alberto Kleiman. Seguiremos firmes em nossas posições: saúde e soberania não se negociam”, declarou.

De acordo com Rubio, as sanções também atingem autoridades de Granada, países africanos e ex-representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Ele ressaltou: “Nós vamos promover a responsabilização do regime cubano pela opressão contra seu povo e aqueles que lucram com o trabalho forçado”.

Lançado por Dilma, o Mais Médicos foi mantido por Michel Temer e, em 2019, renomeado “Médicos pelo Brasil” por Jair Bolsonaro. Seu objetivo era ampliar o atendimento de saúde em áreas carentes e cidades do interior. Médicos estrangeiros, incluindo cubanos, eram contratados via Opas, e os pagamentos eram repassados ao governo de Cuba, modelo que gerou críticas. Em março de 2023, no terceiro mandato de Lula, o programa foi retomado, priorizando médicos brasileiros.

Foto: Rafael Nascimento/MS

 

 


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