O ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu com Pedro Vaca, relator para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), e sua equipe, que estão em missão no Brasil. O encontro, realizado na quarta-feira (14) em Brasília, foi intermediado pelo advogado Paulo Cunha Bueno, que também participou da reunião.
Bolsonaro usou a ocasião para relatar situações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em sua atuação como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022. Segundo o ex-presidente, houve supostas disparidades no tratamento dado a ele e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que venceu o pleito.
A informação sobre a reunião foi divulgada pelo colunista Paulo Cappeli, do site Metrópoles, e confirmada por Paulo Cunha Bueno. O advogado negou que o encontro tenha sido um ataque direto a Moraes, mas afirmou que o ministro foi citado como responsável por violações à liberdade de expressão.
“O nome do Moraes foi citado, mas não foi uma reunião para atacá-lo. Ele foi mencionado em situações que trouxemos como violadoras da liberdade de expressão, que é o foco da comissão”, declarou Bueno. O advogado também denunciou episódios que considera censura, incluindo a interrupção repentina de uma entrevista que concedia à Jovem Pan News.
A CIDH, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), tornou-se uma nova frente na ofensiva de Bolsonaro contra Moraes. O ex-presidente espera que o relatório final da missão traga críticas ao ministro e fortaleça sua alegação de perseguição política.
A pressão sobre Bolsonaro aumentou após a Procuradoria-Geral da República (PGR) indicar que poderá apresentar denúncia contra ele no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado.
Foto: Antônio Augusto/STF

