O ex-presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que o acusa de liderar uma organização criminosa para tentar um golpe de Estado. Bolsonaro afirmou que permanece “tranquilo” diante das acusações e minimizou seu impacto.
“Alguns dizem que há pessoas mais preparadas que eu. Com certeza há muitas, mas ninguém tem o couro mais grosso do que eu. Para se fazer uma denúncia não é necessário um documento de 500 páginas. Quem fala demais não tem o que mostrar”, declarou o ex-presidente. Ele ironizou a denúncia, chamando-a de “golpe da Disney”: “Eu estava nos EUA com o Pato Donald e o Mickey e tentei dar um golpe aqui em 8 de janeiro”.
Bolsonaro também disse não temer uma eventual prisão caso a denúncia seja aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e resulte em condenação: “O tempo todo falam em ‘prender Bolsonaro’. Caguei para isso. A turma que devolveu R$ 5 bilhões em delação premiada não tem ninguém preso”.
O ex-presidente foi notificado pessoalmente nesta quarta-feira, enquanto estava na sede do PL em Brasília, sobre o prazo para apresentar sua defesa. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, estabeleceu um prazo de 15 dias para que todos os denunciados se manifestem.
A PGR argumenta que Bolsonaro participou de um esquema golpista para se manter no comando do Executivo e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de Bolsonaro, o ex-ministro Braga Netto e mais 32 pessoas foram denunciadas por envolvimento na tentativa de golpe. A acusação foi formalizada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e será analisada pela Primeira Turma do STF após liberação do relator.
A defesa de Bolsonaro sustenta que ele “jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou das instituições que o sustentam”. Segundo a nota divulgada pelos advogados, a denúncia da PGR não se sustentará devido à sua “precariedade, incoerência e falta de fatos verídicos”.
A acusação formal contra o ex-presidente inclui os crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. A PGR classifica Bolsonaro como o líder do grupo.
Entre as provas citadas na investigação, a PGR afirma que Bolsonaro analisou e solicitou alterações em uma minuta golpista. O documento previa a possibilidade de prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). As apurações indicam que Bolsonaro pediu a retirada dos nomes de Gilmar e Pacheco do texto.
O plano golpista, segundo a PGR, incluía a prisão dessas autoridades para interferir no processo eleitoral de 2022 e nas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, na visão do ex-presidente, teria tomado medidas “inconstitucionais” contra ele. Nesse contexto, as Forças Armadas seriam acionadas para atuar como um “poder moderador“, com o objetivo de reverter o resultado da eleição.
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

