O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira, 14, que a decisão da Câmara dos Deputados de suspender a ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), acusado de envolvimento em tentativa de golpe de Estado, deveria ser estendida a todos os demais réus no processo, inclusive a ele próprio. Segundo Bolsonaro, como a ação penal é a mesma, a suspensão não poderia ser limitada apenas a Ramagem.
Em entrevista ao UOL, o ex-presidente declarou: “Estou sendo julgado no Supremo por causa do Ramagem. Botaram o Ramagem na ação para todos irem juntos. Agora, quando a Câmara decide suspender, dizem que a medida vale só para ele. A ação penal é uma só. Estou sendo acusado de crime continuado”.
Apesar da decisão da Câmara, os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) — Cármen Lúcia, Luiz Fux, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes (relator do caso) — votaram de forma unânime para manter o andamento do processo contra Ramagem e rejeitaram estender a imunidade parlamentar aos demais envolvidos, entre eles Bolsonaro.
O ex-presidente defende que o recurso apresentado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que busca garantir a validade da decisão legislativa, seja analisado pelo plenário do STF. “O artigo 97 da Constituição diz que para declarar algo inconstitucional é preciso decisão do plenário. Essa é a regra”, afirmou Bolsonaro.
O ex-presidente também reiterou sua disposição de disputar a Presidência da República em 2026, apesar de estar atualmente inelegível. “Eu vou até o último segundo”, disse, pedindo apoio de governadores de direita para questionar as decisões judiciais que o afastaram da disputa.
Bolsonaro mencionou declarações recentes do ex-presidente Michel Temer, que propôs uma união da direita, e aproveitou para convocar aliados a se posicionarem. “Gostaria que os governadores falassem: ‘Bolsonaro está inelegível por quê? Essas acusações têm fundamento?’”, afirmou.
Por fim, o ex-presidente disse que ainda acredita em mudanças no cenário jurídico até o próximo ano. “Faltam dez, onze meses para abril. Vamos esperar a condenação. Ainda acredito em milagre, acredito em Deus e que algo possa mudar”, concluiu.
Foto: Wilton Junior

