O ex-presidente Jair Bolsonaro permanecerá internado no Hospital DF Star, em Brasília, e será reavaliado ao longo desta quarta-feira, conforme informou boletim médico divulgado pela equipe responsável por seu acompanhamento. De acordo com o comunicado, os exames realizados identificaram “persistência da anemia e alteração da função renal, com elevação da creatinina”.
“O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi admitido no Hospital DF Star na tarde do dia 16 de setembro devido ao quadro de vômitos, tontura, queda da pressão arterial e pré-síncope. Chegou na emergência do hospital desidratado, com elevação da frequência cardíaca e queda da pressão arterial. Foram realizados exames laboratoriais e de imagem para investigação diagnóstica. Os exames evidenciaram persistência da anemia e alteração da função renal, com elevação da creatinina. Realizou ressonância magnética do crânio para elucidação de quadro de tontura recorrente, que não mostrou alterações agudas. Houve melhora parcial após hidratação e o tratamento medicamentoso. Será reavaliado ao longo do dia para definição da necessidade de permanência em ambiente hospitalar”, informou a nota.
Bolsonaro foi levado ao hospital na terça-feira após apresentar crise de soluços, episódios de vômito e pressão arterial baixa. Ele está em prisão domiciliar desde o início de agosto por suspeita de obstrução de Justiça, podendo deixar sua residência apenas em caso de emergência médica, desde que apresente justificativa ao Supremo Tribunal Federal (STF) em até 24 horas.
Na terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, relatou que a decisão de levá-lo ao hospital ocorreu quando os sintomas se agravaram. Bolsonaro estava acompanhado de policiais responsáveis pela sua vigilância e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Segundo o médico Claudio Birolini, que chefia a equipe médica, a ida ao hospital foi necessária para uma avaliação mais detalhada. “O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou na tarde de hoje um quadro de mal-estar, queda da pressão arterial e vômitos. Solicitei que fosse encaminhado ao Hospital DF Star para avaliação clínica, medidas terapêuticas e exames complementares. Assim que tivermos uma definição clara do quadro clínico, atualizaremos as informações”, disse Birolini em nota.
Bolsonaro já havia estado no hospital no domingo, três dias após ser condenado a uma pena de vinte e sete anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. Na ocasião, realizou exames e procedimentos médicos. O boletim divulgado após a alta médica indicou quadro de “anemia” e tomografia com imagem residual de pneumonia recente.
Nos últimos meses, Bolsonaro tem enfrentado crises frequentes de soluços, que em situações mais graves o impedem de falar e provocam vômitos. Essa condição é uma das sequelas do atentado à faca sofrido por ele durante a campanha presidencial de 2018.
A situação atual de saúde deve embasar um pedido da defesa para que ele possa cumprir a pena em regime domiciliar. A solicitação deve ser feita após a publicação do acórdão do julgamento encerrado na última sexta-feira.
Em 6 de setembro de 2018, Bolsonaro passou por cirurgia de emergência no Hospital de Juiz de Fora, em Minas Gerais, logo após o atentado. Dias depois, em 12 de setembro do mesmo ano, foi transferido para São Paulo e submetido a cirurgia de desobstrução intestinal.
Em 28 de janeiro de 2019, retirou a bolsa de colostomia colocada durante a recuperação inicial. Meses depois, em 8 de setembro de 2019, realizou novo procedimento para corrigir uma hérnia na cicatriz causada pelas cirurgias anteriores.
Em 12 de setembro de 2023, Bolsonaro passou por outra cirurgia para corrigir uma hérnia de hiato, na porção superior do estômago, visando tratar um quadro de refluxo.
Em 13 de abril de 2025, enfrentou uma operação complexa que durou doze horas. “O ex-Presidente da República Jair Bolsonaro foi submetido a cirurgia de extensa lise de aderências e reconstrução da parede abdominal. O procedimento de grande porte teve duração de doze horas, ocorreu sem intercorrências e sem necessidade de transfusão de sangue”, informou boletim médico à época.
Os médicos detalharam que “a obstrução intestinal era resultante de uma dobra do intestino delgado que dificultava o trânsito intestinal e que foi desfeita durante o procedimento de liberação das aderências. Encontra-se no momento na Unidade de Terapia Intensiva, estável clinicamente, sem dor, recebendo medidas de suporte clínico, nutricional e prevenção de infecções”.
O quadro atual será analisado pelos profissionais de saúde ao longo do dia, quando será definida a necessidade de Bolsonaro continuar internado ou se poderá retornar à sua residência, onde cumpre a prisão domiciliar determinada pelo STF.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

