Depois de transformar seu governo numa fábrica de miséria e de miseráveis, Bolsonaro abre os cofres às vésperas da eleição para tentar impedir uma derrota clara para Lula.
Sabemos que, em condições normais, Jair Bolsonaro não teria a menor condição de tentar a reeleição.

Mas, justamente porque o Brasil não vive um período de normalidade, na política, na vida social, na economia, ele tenta permanecer no cargo em 30 de outubro e já conseguiu chegar às últimas semanas da campanha como um candidato que não pode ser desprezado.

Para entender o que ocorre nestes dias de campanha, é importante reconhecer que, sob o governo Bolsonaro, o país tornou-se um país onde a fome, pesadelo histórico do país, finalmente vencido nos anos Lula-Dilma, conforme a própria ONU reconheceu, voltou a instalar-se entre nós.

Estima-se, hoje, que 33 milhões de brasileiros não tenham condições de alimentar-se de forma adequada. Associada à fome, o país enfrenta o desemprego, o trabalho precário e outros caminhos que levam ao empobrecimento, numa trajetória onde é cada vez mais difícil pagar o aluguel, cuidar dos filhos, sustentar uma casa, entre as várias necessidades da vida civilizada deste século.

Para entender o que ocorre nestes dias de campanha, é importante reconhecer que, sob o governo Bolsonaro, o país tornou-se um país onde a fome, pesadelo histórico do país, finalmente vencido nos anos Lula-Dilma, conforme a própria ONU reconheceu, voltou a instalar-se entre nós.

Estima-se, hoje, que 33 milhões de brasileiros não tenham condições de alimentar-se de forma adequada. Associada à fome, o país enfrenta o desemprego, o trabalho precário e outros caminhos que levam ao empobrecimento, numa trajetória onde é cada vez mais difícil pagar o aluguel, cuidar dos filhos, sustentar uma casa, entre as várias necessidades da vida civilizada deste século.

O projeto de reeleição de Bolsonaro consiste em completar a destruição das instituições democráticas — entre elas o embrião de Estado de Bem Estar Social nascido na Constituinte –, transformando o país num polo de extrema-direita no Hemisfério Sul.

Num inequívoco sinal de gratidão pelos serviços prestados e apoio a promessas futuras, o baronato nativo entregou a Bolsonaro um cofre de R$ 65 milhões de reais em contribuições eleitorais. Para entender o significado dessa quantia, basta uma comparação.

Embora Lula tenha ocupado a liderança das pesquisas eleitorais durante a maior parte do governo Bolsonaro, recebeu o equivalente a 1/65 do mesmo auxílio, numa prova definitiva das opções e prioridades do andar de cima.

O grande serviço prestado pelo bolsonarismo à burguesia envolve o enfraquecimento de instituições que, ao longo da história, representaram conquistas e avanços para os trabalhadores e demais habitantes das camadas inferiorizadas da sociedade.

O Planalto de Bolsonaro comandou e reforçou ataques frontais a instituições como a Previdência e a CLT. A partir de uma política criminosa diante da Covid-19, ensaiou um golpe mortal contra o SUS sendo forçado a recuar frente à resistência de médicos, dos enfermeiros e da própria população. Mesmo assim, o animal insaciável do neoliberalismo foi para cima da Farmácia Popular.

Na investida de maior dano, programas de desenvolvimento econômicos foram esvaziados por políticas de privatização e encolhimento do Estado, quase inviabilizado em sua função de amortecedor da miséria social e promotor do crescimento econômico.

Numa economia que tem dificuldade para se recuperar após tanta destruição e atos de sabotagem explícita, o saldo humano é um desastre visível na forma de cobertores sem cor definida e olhos de pesadelo nas ruas, em famílias acampadas em barracas, e crianças que pedem comida, numa economia que já esteve entre as maiores do mundo, mas que enfrenta solavancos e tremores sem glória, degradante, neste imenso fracasso neo-liberal e submisso ao império.

Convidado a prestar contas nas urnas por uma tragédia histórica pela qual é o maior responsável, Bolsonaro & Cia encontraram um meio de prosseguir na farra, fugir das responsabilidades e permanecer onde estão.

Pretendem recolher cada centavo disponível nos cofres da nação para pagar verbas capazes de esconder suas responsabilidades pelo abismo em que o país se encontra e anestesiar consciências que em 30 de outubro tomarão o caminho das urnas, estimulados a cometer um crime contra a própria História.

Vale até voltar à escravidão e impedir trabalhadoras e trabalhadores de tomar o caminho das urnas e exercitar, por 24 horas, o direito à cidadania. Não é guerra, mas parece.
Alguma dúvida?

Fonte: Jornalista Paulo Moreira Leite


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