O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira que acredita na aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 ainda no primeiro semestre deste ano. Segundo ele, o governo federal atua de forma articulada para reduzir a carga semanal e ampliar o tempo livre dos trabalhadores brasileiros, com impactos diretos na qualidade de vida.

“Eu espero que isso possa ser pautado, aprovado e promulgado pelo presidente Lula neste primeiro semestre, para que os trabalhadores brasileiros tenham paz, tenham descanso e possam ter tempo com a sua família para lazer, para cuidado, que é o básico para qualquer um”, declarou o ministro.

Boulos falou com a imprensa após participar de um ato na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, que marcou a criação do Grupo de Trabalho Técnico da Maré. A iniciativa tem como objetivo formular políticas públicas específicas para o Complexo da Maré, na zona norte da capital fluminense, envolvendo áreas como saúde, trabalho e desenvolvimento social.

Durante a entrevista coletiva, o ministro reforçou o compromisso do governo com a mudança. “Nós vamos acabar com a escala 6×1 no Brasil. Essa é uma necessidade do trabalhador brasileiro”, afirmou, ao defender que o modelo atual impõe desgaste excessivo e compromete a convivência familiar e social.

Segundo Boulos, o tema vem sendo tratado em conjunto com o Ministério do Trabalho. Ele informou que já se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e que novas conversas devem ocorrer “nas próximas semanas” para avançar na tramitação da proposta no Congresso Nacional.

O fim da escala 6×1 está previsto na Proposta de Emenda à Constituição nº 8 de 2025, apresentada à Câmara dos Deputados em fevereiro do ano passado. A PEC foi assinada por 226 parlamentares e tem como autora a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), correligionária de Boulos e primeira signatária da proposta.

Questionado sobre a resistência de setores empresariais à redução da jornada, o ministro adotou um tom crítico. Para ele, a oposição de grandes empresários não surpreende. “O grande empresário ser contra não é nenhuma surpresa”, disse.

“Quando foi que grande empresário foi a favor de direito do trabalhador? Nunca vi na história. Se dependesse deles, seria escala 7×0. Se dependesse de muitos deles, não teria sido nem promulgada a Lei Áurea neste país”, completou.

Boulos lembrou ainda que o governo federal já adotou medidas concretas nesse sentido. No fim do ano passado, o Palácio do Planalto eliminou a escala 6×1 para trabalhadores terceirizados que atuam na Presidência da República, como equipes de limpeza e copa.

“São centenas de trabalhadores no Palácio do Planalto e, em dezembro, a gente assinou o fim da escala 6×1. Todos esses trabalhadores estão no máximo na escala 5×2”, afirmou o ministro, ao defender que a mudança pode servir de referência para o setor privado.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


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