O governo brasileiro e representantes do setor empresarial acompanham com atenção a expectativa de divulgação de um novo relatório comercial dos Estados Unidos que poderá trazer impactos adicionais para as exportações nacionais. A previsão de autoridades envolvidas nas negociações é de que o documento seja apresentado até esta quarta-feira (3).
O relatório é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por avaliar práticas comerciais de parceiros internacionais. Desta vez, a apuração envolve cerca de 60 países e tem como foco a importação de produtos que possam ter sido produzidos por meio de trabalho forçado.
Embora a investigação não seja direcionada exclusivamente ao Brasil, a avaliação de integrantes do governo e de empresários é de que o país poderá sofrer consequências mais significativas. Isso porque a nova análise ocorre logo após a conclusão de outra investigação do USTR que resultou na proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
A recomendação anunciada nesta terça-feira (2) ainda não representa uma decisão definitiva do governo dos Estados Unidos. O processo prevê etapas adicionais de consulta e análise antes de uma eventual implementação das medidas.
Segundo o USTR, a investigação concluída apontou que determinadas políticas e práticas brasileiras seriam consideradas injustas do ponto de vista comercial e poderiam restringir ou prejudicar interesses econômicos norte-americanos.
A possibilidade de um novo relatório aumenta a preocupação do setor produtivo brasileiro, especialmente entre exportadores que já acompanham os desdobramentos da proposta de tarifa adicional de 25%. Empresários temem que novas restrições possam ampliar custos, reduzir competitividade e dificultar o acesso de produtos brasileiros ao mercado dos Estados Unidos.
Enquanto aguardam a divulgação do documento, integrantes do governo brasileiro mantêm diálogo com representantes do setor privado e acompanham os próximos passos das autoridades norte-americanas na condução das investigações comerciais.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

