O Brasil apresentou em feira internacional de inovação, em Las Vegas, avanços regulatórios e políticas públicas ligadas à implantação da TV 3.0, tecnologia que promete transformar o sistema de radiodifusão com novos serviços digitais, personalização de conteúdo e integração com ferramentas de interesse público. Representantes do Ministério das Comunicações e da Empresa Brasil de Comunicação participaram do NAB Show, maior evento mundial do setor audiovisual e de mídia.

Durante o encontro, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou que o governo estuda utilizar recursos do Edital 5G para distribuir kits de recepção da TV digital 3.0 para famílias de baixa renda. A medida busca ampliar inclusão digital e permitir que a nova tecnologia chegue a parcelas da população com dificuldades de acesso a equipamentos e conectividade.

Segundo o ministro, a iniciativa é tratada não apenas como política social, mas como instrumento para acelerar a adoção do novo sistema, estimular investimentos e consolidar um ambiente favorável ao desenvolvimento do setor. A avaliação do governo é que a massificação do acesso poderá fortalecer o ecossistema econômico e tecnológico ligado à nova plataforma.

Entre os diferenciais apresentados está a possibilidade de a TV 3.0 operar também como canal robusto de alertas emergenciais. O modelo prevê envio segmentado de avisos para regiões específicas, com ativação automática dos aparelhos, mesmo sem necessidade de conexão de banda larga. A ferramenta é apontada como recurso estratégico para comunicação em situações de risco e defesa civil.

O governo também destacou a integração da televisão com serviços digitais públicos. A proposta é transformar o aparelho de TV em um ponto de acesso a políticas públicas, ampliando o alcance do Estado, especialmente para cidadãos que ainda enfrentam barreiras no uso de outras tecnologias digitais.

O modelo brasileiro da TV 3.0 foi definido em decreto presidencial em agosto de 2025 e é apresentado como uma mudança estrutural na forma como a televisão aberta opera. Além da transmissão tradicional, a tecnologia incorpora recursos de personalização, regionalização e novas funcionalidades interativas.

Entre as possibilidades estão experiências adaptadas ao perfil do usuário, publicidade segmentada baseada em dados e comércio eletrônico integrado à programação. Segundo autoridades brasileiras, a inovação abre espaço para novos modelos de negócios no setor de radiodifusão.

A expectativa é iniciar testes de transmissão da TV 3.0 durante a Copa do Mundo, com o ritmo de implantação sendo definido conforme a estratégia das emissoras e o ambiente regulatório estabelecido. O governo afirma que seu papel será garantir segurança jurídica e previsibilidade para investimentos.

Durante o evento, representantes da Empresa Brasil de Comunicação afirmaram que a experiência brasileira vem sendo observada com interesse internacional. Segundo a EBC, há atenção externa às escolhas tecnológicas adotadas pelo país, ao marco regulatório e às possibilidades de uso da plataforma para oferta de serviços públicos.

O diretor-geral da empresa, David Butter, destacou que a televisão aberta brasileira já possui escala e relevância consolidadas, e que a TV 3.0 amplia esse alcance com novas camadas tecnológicas. Já o diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, Bráulio Ribeiro, ressaltou o protagonismo da comunicação pública na condução dos testes e na formulação de soluções integradas para a nova plataforma.

Para o governo e para representantes do setor, a presença brasileira no NAB Show reforça a estratégia de posicionar o país entre os protagonistas da próxima geração da radiodifusão, combinando inovação tecnológica, inclusão social e ampliação dos serviços digitais acessíveis pela televisão.

Foto: Divulgação/Ministério das Comunicações


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